Terça, 24 de outubro de 2017
"A adoração que mais impressiona a Deus, às vezes, vem sem palavras" (Ap. Sinomar).

O Homem do Século XXI

No limiar do novo século mudanças radicais têm interferido substancialmente na convivência da família evangélica. Há um novo mundo a ser descoberto com a fascinação do avanço tecnológico. Por um lado, esse novo homem tem tudo o que precisa ao seu alcance, como, por exemplo, cinco a sete informações sendo-lhe disponibilizadas simultaneamente através da televisão. Todas as benesses de um mundo globalizado lhe são oferecidas diariamente. Esse cidadão pode comprar e vender quaisquer mercadorias e serviços em qualquer país do mundo sem sair da sua própria residência. Por outro lado, um grande deserto está invadindo irremediavelmente o seu coração, causando-lhe traumas e feridas profundas em decorrência da solidão, da correria do dia-a-dia e do estresse.
 
O cristão deste século é como um cliente muito exigente. Quer tudo ao seu dispor, porém, o tempo urge para ele: tem de ser rápido, pois outro compromisso o espera. A igreja se tornou um “shopping center” que lhe oferece os mais variados produtos. Quando ele precisa ser suprido numa necessidade específica, vai à prateleira (Igreja) e escolhe o produto (culto) para aquele fim. Se aquele produto não lhe satisfaz mais, procura a prateleira (Igreja) do concorrente, uma vez que o mesmo colocou vários produtos (cultos) em promoção. O consumidor (crente) vai a todos os supermercados (Igrejas), mas não tem compromisso com nenhum deles. Isso tudo o torna vazio e descompromissado. Conhece todos os pastores e Igrejas, mas não se deixa conhecer por nenhum deles. É o que a Bíblia denomina de crente morno.
 
Mudanças são necessárias e é um processo normal. Entretanto, o que se vê são irmãos imaturos, que não se entendem, ou cada um entende a sua maneira. Em Marcos, capítulo 12, versículo 31, Jesus ensina a amar o próximo como a ti mesmo. O texto evoca um ponto de equilíbrio: Eu preciso me amar, me entender (Lat. Entendere: para dentro). Isso significa respeitar; e, respeito, é olhar o outro e tirar os olhos de si mesmo, personalizar-se, dar um tempo para si, se analisar.
 
Muita coisa mudou, mas a evolução da maturidade afetiva no novo crente precisa ser conquistada. O vegetal recebe nutrientes e cresce se houver adubo. Assim também é o crente de hoje: tem de buscar em Deus, não pode viver instintivamente, precisa trabalhar o seu caráter para florescer e frutificar. Chegou o momento de sair do possessivo para o oblativo, e algo natural e não demagógico, deve vir dos sentimentos humanos profundos e espirituais.
 
No novo milênio a família cristã deve vislumbrar a exuberância do belo, resgatar os sentimentos via toque, atenção e carinho. Precisa sair da intenção para a concretização do amor de Deus, como um compromisso de lealdade e fidelidade. No lar, o poder tem de ser compartilhado, não é intimar a família para se unir, mas criar intimidade para se unir.
 
Cuidado com a felicidade imediata, ela não tem raízes profundas. O prazer pode durar a noite toda, mas no dia seguinte segue a alma ferida, os traumas existenciais e incompatibilidades. O melhor não é viver a fantasia do amor, mas o amor deve ser construído e idealizado. Para que se resguarde uma relação sólida e duradoura.
 
Enfim, para adocicar esse novo homem e essa nova mulher, leve Jesus Cristo para sua própria casa. Esse produto, porém, não é encontrado nos supermercados, mas no recôndito do coração. O carcereiro quebrou o padrão da religiosidade e levou o Apóstolo Paulo e Silas para a sua própria casa. Ele certamente desejava ardentemente ter um encontro real com Deus. O grande segredo do sucesso é buscar a cada manhã ter um coração na presença de Deus.
 
 
Sebastião Cassemiro Borba
Bispo do MLP em Rio Verde/GO
Psicanalista
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