Quarta, 16 de agosto de 2017
"Avaliamos as pessoas pelas suas ações, mas Deus considera as intenções" (Ap. Sinomar).

A Queda e a Redenção - Parte 2

A PROMESSA DA REDENÇÃO
 
Em Gênesis 3:15 vemos a promessa maravilhosa que Deus fez ao homem depois da queda: “porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. Esta promessa, certamente são boas novas.
 
Em primeiro lugar devemos entender que esta mulher em Gênesis 3:15 certamente se refere a Eva, mas é importante percebermos que Eva está simbolizando todo o povo de Deus.
 
O descendente da mulher é o Senhor Jesus. Veja que o texto diz a descendência da serpente e o descendente da mulher. O artigo definido nos mostra um descendente específico da mulher. Foi Jesus que feriu a cabeça da serpente. Foi Ele que nasceu somente da mulher, a Virgem Maria (Is 7:14; Mt 1:23; Gl 4:4). Em Hebreus 2:14 e I João 3:8 vemos que, de fato, Jesus feriu a cabeça da serpente. O Senhor Jesus destruiu aquele que tem o poder da morte, a saber, Satanás. Enquanto o Senhor Jesus destruiu a serpente na cruz, esta feriria o seu calcanhar. Isto significa o Senhor Jesus sofrendo Sua morte, cravado na cruz. Além do mais, um ferimento no calcanhar é simplesmente inofensivo; em três dias ficou totalmente restabelecido. Aleluia!
 
Quando Adão caiu em pecado, ele e sua esposa se esconderam por entre as árvores do jardim para esperarem o juízo de Deus. Deus havia dito que no dia em que eles comessem da árvore do conhecimento eles morreriam. Adão certamente estava esperando a morte como condenação. Todavia, Deus veio e, antes de mais nada, anunciou boas novas a eles: a mulher teria um descendente que esmagaria a cabeça da serpente. Certamente Adão e Eva se alegraram com as boas novas anunciadas por Deus e creram na palavra do Senhor. Como podemos dizer que Adão creu? Pelo simples fato de ter dado o nome de Eva (que quer dizer vivente) à sua esposa. Ele sabia que ela iria ter o filho anunciado por Deus. Eles não iriam mais morrer, antes viveriam para cumprir o propósito de Deus.
 
Depois da atitude de fé de Adão vemos uma outra ação de Deus. Deus colocou vestimentas sobre o homem e a sua mulher. Isto significa que Deus os justificou. Ser justificado significa ser coberto pela justiça de Deus, que é o próprio Cristo, não com qualquer coisa feita pelo homem. Gálatas 3:27 diz: “Porque todos quantos fostes batizados para dentro de Cristo, de Cristo vos revestistes”. Portanto, quando o homem crê na palavra de Deus recebe a sua justiça como vestimenta.
 
Muito embora a Bíblia não diga de que animal foram feitas as vestimentas, é muito provável que tenha sido de cordeiro. Baseamos isto em função de que Abel, mais tarde, ofereceu sacrifício de ovelhas. Certamente ele deve ter aprendido isto do próprio Deus, por ocasião deste evento.
 
Jesus, o Único Mediador (At 4:12)
 
Um hindu, muito influenciado pela doutrina da reencarnação, ouviu falar acerca de Jesus Cristo. Quando soube que Jesus, sendo Deus, fez-se homem, afirmou: “Não me cabe na mente a idéia de que Deus tenha-se feito homem; eu não posso entender isso”. Caminhando certo dia, por um imenso campo, cuja terra estava arando com um trator, viu um formigueiro e preocupou-se, pois pensava que elas poderiam ser seus antepassados. Querendo, então, avisá-las do perigo iminente, disse-lhes: “Hei! Formiguinhas vejam, vem aí um monstro enorme que se chama trator e vai moê-las; fujam, estão em perigo!” Mas nenhuma delas saiu correndo, porque não entenderam a sua linguagem. Por essa razão, o hindu pôs armadilhas para que as formigas escapassem, entretanto nenhuma delas escapou. Então ele se angustiou e disse finalmente: “Se pudesse fazer-me formiga, poderia falar-lhes do perigo que se aproximava delas e salvá-las-ia”.
Foi nesse momento que ele compreendeu a doutrina do cristianismo, e disse: “Claro! Se Deus nos fala como o Deus Todo poderoso, Deus do céu e da terra, e nos diz: ‘hei, mortais, perigo!’ Vão para o inferno”. Se nós escutássemos essa voz, diríamos: “Estou ficando louco”; mas Deus fez-Se homem, humilhou-Se, deixou Seu trono de glória, deixou Sua grandeza, deixou Seu esplendor, veio e viveu como um mortal, participou da carne e sangue e, numa linguagem muito humana e muito divina, ensinou-nos o caminho de redenção”. Haverá alguém mais extraordinário que Jesus Cristo? Eu não o conheço!
 
Paulo disse em I Timóteo 3:16: “Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne”. O apóstolo disse: Deus foi manifestado na carne. Jesus era Deus e também era homem. Que palavras tão extraordinárias! O mesmo Senhor, em Provérbios, disse: “Porque o que me acha, acha a vida e alcança favor do Senhor. Mas o que peca contra mim, violenta a própria alma. Todos os que me aborrecem, amam a morte” (Pv 8:35-36). O mesmo Jesus confundiu Seus adversários quando disse: “Na verdade, na verdade vos digo, antes que Abraão existisse, Eu sou”. Os rabinos e mestres disseram: “Este não tem nem cinquenta anos, como pode conhecer a Abraão que existiu 2.000 anos atrás?” Mas Jesus é o mesmo Deus; a diferença é que Ele tomou um corpo humano para ensinar-nos a glória vindoura, e, por essa razão, devemos impregnar-nos totalmente da doutrina de Cristo, para amá-Lo e servi-Lo de todo nosso coração.
 
Ainda que o homem tente encher seu coração com a paixão e o prazer dos vícios, ou com a cultura, a arte ou a ciência, ou com a fadiga do trabalho, seu coração permanece vazio, razão pela qual Jesus disse: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5:3).
 
Por isso o homem tem prosseguido em buscar soluções para sua vida vazia e de pecado permanente, o que tem levado nestes últimos tempos ao ressurgimento da liderança espiritual de todas as correntes doutrinárias. Jesus disse aos judeus que haviam crido n’Ele: “Se vós permanecerdes na minha Palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:31-32).
 
Jesus é extraordinário, é o verdadeiro Deus, como o disse o Apóstolo João: “Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Esse é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (I Jo 5:20).
 
Jesus Cristo é o único homem no mundo que fez planos com Sua morte, e não errou. Eis aí um conquistador que incorpora a si mesmo, não uma nação, mas sim a humanidade. A alma humana se faz um anexo da Sua. Jesus é o Deus eterno, conforme está expresso no Evangelho de João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1:1).
 
A Graça Abundante
 
A graça não se pode negociar e nem comprar; nem a salvação pode ser vendida (Ef 2:8-9). Quando Simão, o mago, ofereceu dinheiro a Pedro para receber a unção, a resposta de Pedro foi: “O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus” (At 8:20).
Mas, o que é a graça? Poderíamos dizer que é a misericórdia de Deus que não merecemos. A graça é o mais grandioso presente, e que não tem preço, concedido por Deus a todos os que a querem receber.
 
“Graça” vem do grego “caris”, que quer dizer beleza ou atrativo. A graça começa em Deus, que não nos vê em nossa lamentável condição. Ele nos deu uma imagem favorável, que tem produzido o milagre da transformação.
 
Um grande exemplo encontramos na época anti-diluviana, quando Deus tomou a decisão de destruir a terra com o dilúvio, porque toda carne havia se corrompido; a única exceção foi Noé, que achou graça diante dos olhos de Deus (Gn 6:5-8). O que fez com que Noé achasse graça diante dos olhos de Deus?
 
- Era justo: era equilibrado e nunca atuou com parcialidade.
- Era perfeito em sua geração: instituiu em sua casa, e com sua descendência, uma disciplina fundada no temor de Deus.
- Noé caminhou com Deus: Ele renunciou sua própria vontade e aceitou fazer incondicionalmente a vontade de Deus em tudo o que Ele mandasse (Gn 6:9).
 
O caráter de Noé moveu a mão misericordiosa de Deus de tal forma que o Senhor lhe confiou a preservação de toda a raça humana.
 
Podemos notar que a graça está no coração amoroso de Deus, mas para que ela se desenvolva foi necessário um ponto de contato: a vida íntegra de Noé, conforme o Senhor lhe expressou quando mandou que entrasse com toda sua casa na arca: “Porque a ti tenho achado justo diante de Mim nesta geração” (Gn 7:1).
 
Embora Deus tenha estendido Sua misericórdia a toda a humanidade, o homem perseverou em seu pecado, e para que Deus não destruísse o ser humano, escolheu um homem, chamado Jesus, depositando n’Ele o pecado de todos nós, convertendo-se, desse modo, a fé em Jesus na única fonte de salvação para a humanidade. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não é de vós, pois é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8-9). “E se pela graça, já não é por obras; de outro modo a graça já não é graça. E se por obras, já não é graça; de outro modo a obra já não é obra” (Rm 11:6).
 
Deus deu uma lei ao povo de Israel, que, como nação, deveria cumpri-la. Se obedecessem aos estatutos e mandamentos do Senhor, Ele o confirmaria como Seu povo, e seria Seu Deus. Mas se o povo quebrasse os diferentes mandamentos divinos, então o Senhor estaria contra ele, dispersá-lo-ia pelas diversas nações e o afligiria com diferentes pragas, até destruí-lo. Ele disse: “Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor, teu Deus, não cuidando em cumprir todos os Seus mandamentos e os Seus estatutos que, hoje, te ordeno, então virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão: Maldito serás tu na cidade e maldito serás no campo” (Dt 28:15-16).
 
Todos os que não viveram de acordo com a lei, teriam a maldição. Para os judeus foi praticamente impossível guardar a lei, porque quiseram fazê-lo sem fé, e sem fé é impossível agradar a Deus. Também hoje existem algumas correntes religiosas que pretendem fazer o que os judeus não puderam, submetendo seus fiéis a uma religiosidade baseada em normas novamente externas e deixando de lado o poder da fé. Paulo escreveu: “Os que se prendem à lei judaica para salvar estão sob a maldição de Deus”.
 
As Escrituras dizem claramente: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da Lei, para praticá-las” (Gl 3:10). Em sua carta aos Romanos, Paulo disse: “Visto que ninguém será justificado diante d’Ele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3:20). E acrescenta: “Sendo justificado gratuitamente, por Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24). “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10:4).
 
Ainda que faça parte da Palavra de Deus, a lei expôs a justiça divina ao povo de Israel, mas, com a morte de Cristo na cruz, também morreu a lei e renasceu a graça.      A severa justiça é exata, precisa, imparcial, objetiva e não permite aproximações de nenhuma índole. Mas, na cruz, encontraram-se a severa justiça de Deus – “A alma que pecar, esta morrerá” – e a misericórdia divina – “Mas Deus mostra Seu amor para conosco, em que sendo ainda pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5:8). Deus, em Sua justiça, tinha que castigar o pecador, mas em Sua misericórdia preferiu castigar Seu próprio Filho, para, assim, poder salvar toda a humanidade, que, por si só, já estava perdida.
 
Paulo disse: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm 3:28). “Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça” (Rm 4:4-5).
 
CONCLUSÃO
 
Alguns pensam que, para entregar suas vidas a Deus, devem ser melhores do que são, por isso deixam passar os dias, pensando que amanhã mudarão. O interessante é que o Senhor não exige esforço algum de nossa parte, já que a fé diz: “Todo o castigo que eu, como pecador, merecia, recaiu sobre aquele homem chamado Jesus, que não havia cometido nenhum pecado. E todo o bem que Jesus deveria receber, veio sobre mim só por crer n’Ele; Deus me vê através de Jesus, e eu me comunico com Deus também por meio do Senhor Jesus”.
 
E nessa graça entregamos a Jesus nossas fraquezas para que Ele as leve, aceitando toda a fortaleza d’Ele dentro de nós.
 
- Entregamos a Ele nossos pecados e aceitamos d’Ele Sua salvação.
- Entregamos nossas enfermidades e aceitamos d’Ele a saúde.
- Entregamos nossas necessidades e aceitamos d’Ele Sua provisão.
- Entregamos a Ele nossa angústia e aceitamos d’Ele Sua infalível paz.
- Entregamos a Ele toda nossa vontade e aceitamos d’Ele a direção de Seu Santo Espírito.
- Entregamos a Ele nosso conhecimento humano e aceitamos d’Ele Sua sabedoria divina.
 
Por essa graça, confiamos, de uma maneira plena, no Senhor Jesus Cristo e dizemos, como Paulo: “Tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fp 4:14). Paulo disse: “Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado” (Rm 7:14). Ora, a lei, sendo espiritual, não é o problema, mas sim nós, eu somos carnais. E, dada essa natureza carnal, fomos feitos escravos do pecado.
 
A cruz é tão poderosa que o Apóstolo Paulo disse: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gl 6:14).


Rede de Ensino
Ministério Luz para os Povos
© 2010 - Todos os direitos reservados Ministério Apostólico Luz para os Povos
www.luzparaospovos.org.br   webdesigner: cristiano souza   sistema: coweb