Quarta, 16 de agosto de 2017
"Já lemos muitas vezes na Bíblia que precisamos perdoar nossos inimigos. Creio que já é hora de perdoar nossos irmãos" (Ap. Sinomar)

A Queda e a Redenção - Parte 1

INTRODUÇÃO
 
Muitos têm procurado compreender por meio da filosofia, da psicologia, da antropologia, e por outros ramos de conhecimento, a origem do sentimento de culpa e do pecado.
 
A Palavra de Deus nos mostra a origem do pecado. O pecado não teve origem em Deus, pois Deus é santo (I Pe 1:16); é luz (I Jo 1:5; Tg 1:17; Jo 8:12) e não pode ser tentado, nem tão pouco tenta quem quer que seja (Tg 1:13). O pecado não teve origem no homem (Gn 1:27,31; Ec 7:29). O pecado já existia quando o homem foi criado. O pecado teve a origem em Satanás (Jo 8:44; I Jo 3:8; Is 14:13-14).
 
O homem, portanto, se tornou pecador porque o pecado veio à humanidade por meio de um homem e, deste modo, a morte passou a todos os homens (Rm 3:23, 5:12; Gn 3:6-7, 5:3; Jó 25:4; Sl 51:5; Ec 7:20).
 
Pelo fato de Deus ser santo e justo, o homem, ao pecar, foi afastado de Sua presença. A comunhão que antes existia entre Deus e o homem foi cortada por causa do pecado (Gn 3:8; Is 59:2; Pv 15:29; Jr 5:24-25; I Rs 8:46; Sl 130:3; Sl 53:3; Is 53:6; Mq 7:2; Is 64:6; I Jo 1:8).
 
O pecado fez o homem ficar debaixo da ira de Deus (Jo 3:36; Ef 5:6; Cl 3:6; Rm 2:5; Is 13:11; Am 3:2), sujeitando-o à morte espiritual (Rm 6:23; Lc 15:24,32; Ef 2:1-2; Mt 8:22) e à morte física (Gn 3:19; Tg 2:26).
 
Deus, em Sua infinita graça, resolveu enviar, na plenitude dos tempos, Seu Filho Jesus Cristo, para, por meio d’Ele reconciliar consigo o homem, perdoando os seus pecados (Gl 4:4). Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (II Co 5:19; Rm 5:10-18; Lc 19:10; Cl 1:20; Ef 2:16). Jesus morreu por todos (II Co 5:14-15; Rm 5:8, 8:34, 14:9); desta forma, todos foram perdoados, toda a humanidade indistintamente foi perdoada. A salvação, no entanto, somente é concedida mediante a fé em Jesus Cristo e em Sua graça (Ef 2:8-9; II Tm 1:9; Tt 2:11; Mc 16:16; At 16:31; I Pe 1:5).
 
1 - A QUEDA DO HOMEM
 
Satanás tentou Eva com uma serpente, fazendo uma pergunta que invariavelmente punha em dúvida a Palavra de Deus. Se Eva tivesse completamente se submetido ao controle do espírito, rejeitaria a interrogação da serpente. Por tentar responder, ela exercitou a mente em desobediência ao espírito. Sem dúvida que a pergunta de Satanás estava cheia de erros, pois seu motivo principal era simplesmente incitar o esforço mental de Eva e confundi-la. Ele esperou até que Eva o corrigisse, mas, lamentavelmente, ela ousou mudar a Palavra de Deus em sua conversa com Satanás. Consequentemente o inimigo foi encorajado a tentá-la a comer aquele fruto, sugerindo que, ao comer, seus olhos seriam abertos e ela seria como Deus, conhecendo o bem e o mal. Satanás provocou seu pensamento e a alma primeiro e depois avançou para apoderar-se de sua vontade. O resultado foi que ela caiu em pecado.
 
Satanás sempre usa a necessidade física como o primeiro alvo do ataque. Ele mencionou simplesmente o comer do fruto a Eva, uma coisa totalmente física. Em seguida, ele prosseguiu para seduzir sua alma, insinuando que pela satisfação seus olhos seriam abertos para conhecer o bem e o mal. Não que conhecer o bem e o mal seja errado, mas tal atitude brotou de uma má intenção do coração. A tentação de Satanás alcança primeiro o corpo, depois a alma, e, finalmente, o espírito.
Após ser tentada, foi Eva quem tomou a decisão (Gn 3:1-8). Primeiro: a árvore era boa para se comer. Isto é a cobiça da carne, ou seja, sua carne foi a primeira a ser despertada. Segundo: era agradável aos olhos. Isto nos fala da concupiscência dos olhos. Agora tanto o seu corpo quanto a sua alma haviam sido seduzidos. Terceiro: a árvore era desejável para dar entendimento. Isto é a soberba da vida (I Jo 2:15-17).
 
A queda do homem foi ocasionada pela busca de conhecimento. É por isso que Deus usa a loucura da cruz para destruir a sabedoria dos sábios. O intelecto foi a causa principal da queda; por isso, para alguém ser salvo, é preciso que creia na loucura da palavra da cruz, em vez de depender de sua inteligência. A árvore do conhecimento provoca a queda do homem, por isso, Deus emprega a árvore da loucura para salvar almas (I Pe 2:24).
 
O apóstolo Paulo nos diz que Adão não foi enganado, indicando que a mente dele não foi confundida no dia da queda. Quem tinha a mente fraca era Eva (I Tm 2:14). Segundo o registro de Gênesis, está escrito que a mulher disse: “a serpente me enganou e eu comi”. Adão evidentemente não foi enganado, sua mente estava clara e ele sabia que o fruto era da árvore proibida. Pelas palavras de Paulo vemos que Adão pecou deliberadamente. Ele amava mais a Eva do que a si mesmo. Ele fez dela seu ídolo e por amor a ela estava disposto a rebelar-se contra Deus. Vemos que Eva pecou por causa da mente, mas Adão por causa da emoção, ambos pecaram por seguirem o curso da alma.
 
A – As Consequências da Queda para o Homem
 
Quando Deus falou com Adão a respeito da árvore do conhecimento do bem e do mal, no princípio, Ele disse: “no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Entretanto, Adão e Eva continuaram a viver por centenas de anos depois de comerem do fruto. Obviamente isto indica que a morte predita não era física. A morte de Adão começou no seu espírito.
 
Devemos entender que morte não significa aniquilamento. O espírito do homem não deixou de existir, mas simplesmente perdeu o contato com Deus. Quando alguém morre não deixa de existir, mas nós perdemos o contato com ele. A morte do espírito significa que ele perdeu o contato com Deus.
 
Na alma do homem, o resultado foi que ela se tornou corrompida e contaminada com os pensamentos da serpente. O homem tornou-se essencialmente um ser da alma, puramente natural e indiferente às coisas do espírito. A alma tornou-se muito desenvolvida e veio a ser o centro do homem. O homem então se tornou egoísta, totalmente voltado para o seu próprio Ego.
 
Por fim, o corpo também foi atingido. Quando Deus criou o corpo humano, este era completamente puro, mas quando o homem pecou, o veneno da serpente foi injetado nele e o corpo passou a ser o lugar da habitação do pecado. Em Romanos 7 Paulo diz que o pecado estava nos seus membros. O corpo se tornou o que a Bíblia chama de carne. Não devemos ceder a nenhum dos apetites do nosso corpo, antes devemos discipliná-lo até o dia da sua glorificação, pois sabemos que o corpo não se converte e continua o mesmo de antes da nossa conversão.
 
Estas foram as conseqüências do pecado com relação às três partes do homem; mas podemos ver, também, as conseqüências do pecado em relação a três pessoas: com relação a Deus, a nós mesmos e ao diabo. Com relação a Deus, o homem está separado de Sua comunhão, está debaixo da condenação e deve ser punido com a morte. Com relação a si mesmo, o pecado gerou a culpa e a angústia. Com relação a Satanás, o pecado nos traz acusação e escravidão.
 
Com a queda, nós nos tornamos essencialmente pecadores. O pecado entrou para dentro da constituição humana. Tornou-se algo como que hereditário, que transmitimos aos nossos filhos. Nós cometemos pecados porque somos pecadores; temos uma natureza pecaminosa. O pecado é o veneno da serpente que foi injetado dentro do homem.


CONTINUA NA PARTE 2


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