Quarta, 16 de agosto de 2017
"Precisamos seguir as pegadas de um Deus sonhador e não parar de sonhar, nunca." (Ap. Sinomar)

A Restauração das Artes

Sempre que a mãe de Lia lhe coloca o vestido rodado, podemos esperar por seus tombos durante o momento de louvor na Igreja, pois ela, em sua “larga experiência de vida”, no alto de seus quase três anos de idade, está tentando dançar, louvando e adorando a Deus. O vestido é um incentivo a mais, pois se sente uma bailarina dentro dele. Enquanto isto, as tintas já estão sendo preparadas pela professora de crianças para as pinturas, no memento certo. Quando o culto terminar, tenho certeza de que Lia sairá lá da salinha das crianças com seu vestido de bailarina todo manchado de tintas, pois ela também se expressou através da pintura.
 
E Jesus lhes disse: Sim, nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste perfeito louvor? (Mt 21:16).
 
A Igreja tem ajudado nossas crianças, permitindo liberdade de expressão através da arte. Poder expressar-se plenamente é a mais fundamental aspiração humana. Sempre a igreja evangélica andou na frente do mundo em relação às artes. Fomos agraciados pelos missionários estrangeiros que chegaram no Brasil trazendo a sua cultura, ensinando música e algumas artes manuais ao povo evangélico. Mas o pragmatismo sempre existiu e algumas coisas eram proibidas àquele que quisesse ter uma vida santa, dentre elas estavam a dança, o ritmo e as manifestações de liberdade artística em geral.
 
Algumas coisas não eram permitidas há algum tempo atrás, nas Igrejas. A dança era um “pecado terrível”, não sei em que ensinamento bíblico era baseado tal comportamento. As meninas se sentiam frustradas e algumas vezes até passava em suas mentes a vontade de ir para o mundo para poder aprender a dançar. Sonhavam em ser bailarinas, mas para isso precisariam deixar a “fé”. Como a vida era assim mesmo, passavam o tempo construindo sua própria flauta com talinhos de mamona ou transformando as panelas velhas da mãe em tambores, que eram tocados por meninos, os líderes, que deveriam ser acompanhados pelas marchas dos outros nas brincadeiras. Os instrumentos eram selecionados e o violão nunca era usado nas Igrejas, pois comumente eram instrumentos usados por duplas sertanejas. As primeiras vezes que se tocou violão na Igreja, o impacto foi enorme e todos admirados e até emocionados suspiravam e exclamavam no lugar de glória ou aleluia um, “viola boa!”.
 
A arte traz contribuição na formação da personalidade, habilidades teatrais com suas qualidades que o mundo do espetáculo requer, enriquecendo a mente da criança, do jovem e até do adulto. As pessoas que vão ao teatro e que gostam de ler são as que conhecem os clássicos e que têm mente aberta para experimentar a liberdade que a arte oferece. Estas têm probabilidade de triunfar na vida dos negócios e na posição de liderança. Quando vemos uma apresentação de balé, podemos notar que por trás de sua aparência bonita há um método rígido onde se aprende a concentrar-se e traz normas de comportamento.
 
A arte nasceu junto com o homem. Quem nunca ouviu falar de Miriã com o seu tamborim louvando a Deus pela vitória do povo hebreu na travessia do Mar Vermelho? Era muito comum os homens e as mulheres de Deus louvarem com um cântico novo após uma vitória. Moisés, Débora, Davi, e muitos outros tiveram os seus cânticos de vitória registrados nas Escrituras.
 
Devagarinho os espaços têm sido abertos nas Igrejas e esta mudança vem quebrando dogmas humanos. Hoje, meninas como Lia, podem sonhar e expressar a sua arte sem medo de pecar. Um dia se tornarão “Miriãs” ou “Déboras” com suas danças e cânticos de louvor por suas vitórias, fazendo parceria com os meninos que, também como Davi e Moisés, estarão livres em seu poder de expressão diante do Senhor.
 
Bpa. Noeme S. Torres
Escritora e pastora do Ministério Luz para os Povos
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