Sábado, 24 de junho de 2017
"Avaliamos as pessoas pelas suas ações, mas Deus considera as intenções" (Ap. Sinomar).

Jesus e as Questões Públicas

Um dos motivos pelos quais Jesus veio ao mundo foi para estabelecer o reino de Deus. O homem perdeu a sua capacidade de se autogovernar depois da sua desobediência a Deus. Cristo se manifestou para restaurar ao homem o potencial de ser autogovernado sob a direção de Deus. Jesus veio para trazer a salvação interna, mas também veio para trazer a liberdade política externa.
 
Antes de Jesus ascender aos céus, seus discípulos lhe perguntaram: “Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel (Atos 1:6)? De que tipo de reino os discípulos de Jesus estavam falando? É lógico que estavam se referindo a um reino civil externo. Ora, durante séculos o povo hebreu esperava por um Messias que viria a estabeleceria um reino, tirando-os da escravidão. Quando Jesus caminhou na terra, seus seguidores viam n’Ele o libertador; tentaram fazê-lo Rei, pois não compreenderam que o seu reino visível seria no futuro. O propósito de Deus hoje é plantar nos corações dos homens os “princípios” do seu reino. Jesus nunca negou que uma expressão externa do seu reino aconteceria e eu gostaria de enfatizar neste artigo alguns princípios ensinados por Jesus que podem dar aos homens condições de estabelecer um “modelo” de governo civil justo.
 
1. Jesus falou de uma mudança democrática gradual, do interior para o exterior. Os leitores da Bíblia podem observar que o caminho de Deus para a tão desejada liberdade é do interior para o exterior. Enquanto Deus deseja que nós trabalhemos para estabelecer uma expressão externa de seu reino na terra (Mateus 6:10 – “Venha o teu reino, assim na terra como no céu”), este reino precisa começar no coração do homem, e, então ele irá expressar-se externamente com naturalidade, em todos os aspectos da sociedade. Quando o Espírito de Deus toma posse do coração do homem, esse homem é libertado. Da mesma forma, quando o Espírito Santo entra numa nação, esta nação é libertada. Quanto mais os princípios bíblicos vão se imiscuindo no coração de um povo, mais liberdade esse povo experimenta em todos planos (civil, religioso, econômico, etc). Cristo veio para libertar o homem. É a liberdade espiritual que produz a liberdade política. É só notar: todos os povos escravizados politicamente são pagãos, ateus ou afastados dos preceitos de Deus, por conveniência, é lógico. Escravidão política reflete escravidão espiritual interna.
 
As reformas cristãs dentro de uma nação não começam com meios externos e violentos (um contraste muito grande com as “reformas” marxistas/comunistas), mas elas começam no interior de cada cidadão. Todas as tentativas de mudanças externas durante a história fracassaram. A proposta do cristianismo verdadeiro é com ênfase no interior do homem, visando a sua transformação e, em sendo assim, os efeitos externos se revelam gradualmente e são firmes e saudáveis e, sobretudo, crescentes.
 
O tanto que uma nação aplica da lei de Deus é o tanto que ela prosperará e caminhará na liberdade. O quanto um povo aplica da lei de Deus em sua vida será refletido em suas instituições, pois a lei flui do coração do homem para a nação.
 
2. O governo civil é uma instituição divina. Jesus disse a Pilatos: “Não terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta não te fosse dada de cima (João 19:11). Jesus afirma, então, que a autoridade civil é delegada e controlada por Deus. O Apóstolo Paulo, escrevendo aos romanos, afirma: “Pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas”. Isso quer dizer que Deus é soberano sobre a história humana e o governo humano. Em Apocalipse 1:5 está escrito: “Ele é o soberano dos reis da terra”. Isso é importante, pois muitos hoje vê o governo civil como algo “mundano” e não espiritual e, portanto, não é necessário que pessoas cristãs (religiosas) se envolvam com ele. Este pensamento procede de pessoas despreparadas e mal informadas sobre o propósito de Deus. A espiritualidade envolve mais do que os tópicos religiosos e eclesiásticos. Jesus veio para transformar todos os setores da sociedade humana e isso começa com cada indivíduo funcionando como sal e luz do mundo – confira Colossenses 1:20.
 
3. Há limites para a jurisdição do Estado. Como Deus não pode ser separado do governo, já que Ele o ordenou, Jesus fala sobre os limites de jurisdição do Estado. Jesus disse que devemos dar a César (o Estado) o que é de César e a Deus o que é de Deus. O governo tem alguns direitos legítimos aos quais devemos nos submeter, mas eles são bastante limitados. Por exemplo, cabe ao Estado o uso da espada para a proteção da população (Romanos 13:1-4). Isso significa que devemos servir ao exército se formos convocados (I Samuel 8:11-17). Outra função legítima do Estado que Jesus claramente afirma é o recolhimento de impostos (veja Mateus 17:24-27). “Dar a César” (governo) numa república representativa também significa que devemos servir nos júris, estar envolvidos nos partidos políticos, votar, etc.
 
Algumas coisas que pertencem a Deus e não ao Estado incluem nossa adoração a Deus (religião), nossos filhos e sua educação (escola), nossa propriedade (mercado livre) e nossas idéias (liberdade de expressão e de imprensa). Nessas questões, o Estado não tem autoridade e não deve interferir ou tentar exercer controle. A Igreja, o mercado, a imprensa e as escolas devem permanecer completamente livres e independentes. É assim nos países mais desenvolvidos do mundo, principalmente os de formação evangélica. O ensino público, praticado hoje, principalmente nos países em desenvolvimento tem sido uma bênção para os mais pobres, mas isso só acontece por causa da disparidade social existente.
 
4. O valor inerente do indivíduo. O valor da vida do ser humano é ensinado nas Escrituras. Jesus ensinou que cada pessoa tem valor, independentemente do que ela é capaz de fazer. Isso contradiz a idéia pagã de que um indivíduo é considerado valioso somente se ele puder contribuir de alguma forma ao Estado, ou se ele pertencer a uma certa classe social ou raça. O indivíduo é superior ao Estado ou a qualquer interesse coletivo. Este é o princípio da individualidade. Claramente Jesus e os cristãos do primeiro século exibiram o valor que Deus coloca em todos os seres humanos, sem importar a raça, a classe, habilidade ou sexo (João 3:16).
 
5. O governo deve servir a todos os homens, igualmente. O valor do indivíduo e sua superioridade aos interesses do Estado nos conduzem diretamente àquilo que lemos em Lucas 22:25-26. Aqui está uma referência clara sobre o governo e a política. Diz assim: “Os reis das nações dominam sobre elas; e os que exercem autoridade sobre elas são chamados benfeitores. Mas vocês não serão assim. Ao contrário, o maior entre vocês deverá ser como o mais jovem, e aqueles que governa, como o que serve”. Jesus está fazendo referência às autoridades civis, e declarando que elas devem ser servidores públicos. Portanto, o propósito do governo civil é servir ao povo. Esta era uma idéia radical e nova e posteriormente passou a influenciar muitas nações do mundo. Os Estados Unidos, por exemplo, nação protestante, chamam os seus líderes de “servidores públicos”. Este conceito transformador veio diretamente de Jesus Cristo: o governo civil existe para servir ao cidadão.
 
 
Sinomar Fernandes da Silveira
Apóstolo e Presidente do Ministério Luz Para os Povos
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