Sexta, 19 de setembro de 2014
"Avaliamos as pessoas pelas suas ações, mas Deus considera as intenções" (Ap. Sinomar).

Escola de Líderes: A Ética do Professor

I Timóteo 4:12 - Ética nos fala do comportamento e da conduta do líder. São os parâmetros ou regras que ele segue para exercer um ofício ou uma função. Em nosso caso, estamos falando da postura do professor da Escola de Líderes diante da sua turma e da Igreja local.

Quando um profissional falta com a ética (conduta), ele põe em risco a sua profissão e o seu futuro; pois ele perdeu a oportunidade de manter uma boa imagem diante das pessoas. Reconstruir uma imagem “maculada” é um processo muito doloroso.

Como professores cristãos temos que dar exemplo em todas as coisas que fazemos, pois as nossas atitudes revelam o nosso caráter. Os nossos alunos são aquilo que plantamos. Sem uma conduta de acordo com a Palavra de Deus, vamos transmitir um conhecimento incapaz de gerar transformação na vida dos nossos pretensos futuros líderes.

Tito 2:7 nos exorta a sermos padrão de boas obras, integridade e reverência. Temos que ser líderes cautelosos, para apresentarmos aos nossos alunos um padrão digno de ser almejado por todos aqueles que querem exercer um cargo de liderança na Casa de Deus.
O professor da Escola de Líderes é uma peça chave para isso, pois durante alguns meses ele vai estar envolvido diretamente na formação de um grupo de líderes de células dentro da Visão da Igreja em Células na Visão dos Doze. Os seus alunos o terão como padrão e exemplo durante todo o tempo.

A ética do professor nos fala do compromisso dele de fidelidade à visão do nosso ministério. Toda a geração de líderes que ele formar vai depender da forma como ele conduziu essa formação.

Quando Paulo chegou em Éfeso, por ocasião da sua terceira viagem missionária, ele fez um trabalho estratégico (At 19:8-10). Ao invés de pregar nas sinagogas e praças públicas ele separou um grupo de pessoas e trabalhou com elas durante dois anos na Escola de Tirano. O resultado foi surpreendente, pois através desse trabalho toda a Ásia Menor foi evangelizada. Com certeza Paulo tinha um padrão e uma ética. Os discípulos seguiram seu exemplo, pois viram nele um padrão digno de um homem que prega a Palavra de Deus.

A ética abrange várias áreas do nosso caráter e vamos falar um pouco sobre cada uma delas.

1 – A ÉTICA DA FIDELIDADE COM A VISÃO DO MINISTÉRIO

Um professor de Escola de Líderes nunca deve entrar numa sala com o objetivo formar líderes para si mesmo. Ele deve estar aliançado com o ministério para dar andamento na visão do mesmo. Estamos na Visão da Igreja em Células na Visão de Discipulado de Doze. Baseado nisto, o professor de Escola de Líderes deve estar ciente que está formando líderes para Deus e para o ministério. Seu propósito deve ser repassar a visão para gerar o crescimento numérico e qualitativo do nosso ministério.

O professor tem a responsabilidade de transmitir a fidelidade e o amor que tem ao ministério aos seus alunos. É na Escola de Líderes que recebemos a visão do nosso ministério, é lá que aprendemos a amar a visão e acreditar nos projeto dos nossos pastores presidentes. Se o professor não ama a visão e não é fiel ao ministério, ele vai gerar um grupo de líderes apáticos e indiferentes. Isso é um veneno para visão e, conseqüentemente, para o nosso ministério. Isso é muito sério, pois espera-se que o professor acredite naquilo que está ministrando. Ele não pode falar de uma visão se não acredita nela. O professor de Escola de Líderes é muito mais que um profissional do ensino, ele é um transmissor de vida.

2 – A ÉTICA DA CONDUTA

A conduta nos fala da apresentação, do comportamento e do testemunho do professor.

Durante o período que estiver ministrando, o professor se torna o alvo direto dos seus alunos. Tudo na sua vida é observado e ele se torna um referencial para aqueles que estão sendo ministrados por ele. Os alunos observam tudo, por isso o professor deve ter uma preocupação com sua vida natural, dentro e fora de sala. Nosso testemunho muitas vezes fala mais alto que nossas palavras, por isso o professor deve ter em mente que seu testemunho influencia também de forma negativa e forma líderes deficientes.

Vida Familiar – O professor deve ter um bom relacionamento com sua família, sem rancores ou mágoas que o prendem no reino espiritual. Deve ser um bom pai, bom filho, boa esposa, bom esposo e ter uma vida equilibrada no lar.
Vida Financeira – Deve ser uma pessoa que não faz negócios escusos e que não tenha seu nome negativado. Ele deve aprender a gastar apenas aquilo que ganha e nunca ser alvo de cobradores. Isso denigre a imagem de um servo de Deus. Lembre-se: seu nome é o seu maior tesouro. No reino espiritual você é conhecido por aquilo que faz.
Vida Emocional – Deve ser uma pessoa liberta do poder do pecado. Se for solteiro, que seja equilibrado em suas carências. Se casado, que seja fiel ao seu cônjuge.
Apresentação Pessoal – Deve ser uma pessoa que se preocupa com a higiene pessoal. Procurar manter uma boa aparência em sala de aula e as mulheres tomar cuidado com o modismo sensual.

3 – A ÉTICA COM A VERDADE

O professor deve sempre ter a Palavra de Deus como referencial em sua vida. A Palavra de Deus é a vontade do próprio Deus revelada a nós e omitir isso dos alunos acarretará em conseqüências drásticas em sua vida e seu ministério. Toda aula, toda ministração e todo desafio que o professor fizer ao aluno deve ter como fonte a Palavra de Deus. Entre agradar os alunos e fazer a vontade de Deus, o professor deve sempre optar pela segunda alternativa. O professor nunca entra numa sala para dizer o que o aluno quer ouvir, mas sim, o que ele precisa ouvir. Há uma diferença aqui.

Se falamos o que os alunos querem ouvir, estamos sempre sendo complacentes com seus erros e jamais seremos levados a sério. Seja para confrontar ou para ministrar amor, o professor deve sempre seguir a direção do Espírito, que está relacionada com a verdade, que é a Palavra de Deus.

Ao optar pela verdade e pela integridade da Palavra, o professor está optando em formar o caráter de Cristo em seus alunos. O próprio Jesus confrontou muitas vezes todos aqueles que queriam andar com Ele. Ele jamais se vendeu por causa de uma bajulação ou favor, porque tinha consciência do que era o reino de Deus e o que significava esse reino habitando dentro do coração dos homens.

O professor deve sempre ensinar o que é correto aos seus alunos. Fazendo isso ele vai cravar a Palavra no coração de cada um e levar todos a uma frutificação sadia.

4 – A ÉTICA DA HUMILDADE

O professor jamais deve entrar dentro de sala achando que é o dono da sabedoria e da verdade. A Escola de Líderes é um aprendizado e um treinamento para todos, não só para os alunos. Se ao final do curso o professor não atingiu os objetivos necessários, significa que ele precisa de treinamento também.

Ele não é o dono da sabedoria, mas é uma pessoa que anda no princípio da cruz e está disposta a aprender se relacionando com esse grupo que está formando. Por isso, o professor jamais deve usar a sala de aula para se auto-promover.

Nunca menospreze o conhecimento do seu aluno, por mais que ele seja novo na fé. Apesar da Escola de Líderes não ser um curso teológico, mas um período de treinamento, contudo o professor precisa sempre reciclar seus conhecimentos, levando-se em conta que a revelação da Palavra depende do conhecimento que temos dela.

O professor deve ser uma pessoa submissa, transparente e tratável. Se ele acha que sabe tudo, é porque a cruz ainda não operou de maneira profunda no seu caráter. Vale lembrar que os alunos sempre testam o conhecimento dos seus professores. Eles, melhor do que ninguém, podem avaliar se a aula que acabaram de ouvir foi boa ou não, se foi bem preparada ou não, se foi ungida ou não.

5 – A ÉTICA DA IMPARCIALIDADE

O professor deve aprender a ouvir os alunos e manter sua imparcialidade. Ao ensinar a Palavra de Deus, o professor jamais deve se colocar como o melhor exemplo a ser seguido e nunca deve fazer propaganda de si próprio. Ser modelo não quer dizer que ele é melhor.

É natural dentro de sala um aluno abrir o coração e falar de seus problemas no discipulado pessoal, frustração contra sua liderança ou até problema de ordem pessoal (financeira, sexual, etc). Se não tomar cuidado, o professor pode acabar colocando o aluno contra seu líder, se não houver sabedoria para tratar com o problema dele em sala. Se o problema for tratado com imaturidade, o aluno vai acabar querendo deixar seu discipulado pessoal e ser discípulo do professor e esse procedimento é completamente antiético. O papel do professor é auxiliar o discipulado pessoal dos seus alunos e não causar divisão ou sentimentos facciosos nos mesmos.

O professor deve saber a linha divisória de sua influência sobre seus alunos. Existem problemas que precisam ser tratados dentro do discipulado pessoal e não em sala de aula. Se coincidir de o professor ser o discipulador de seus alunos, ou for o pastor da descendência, tudo bem; mas se o professor está dando aula para alunos de outras descendências, ele deve ajudar os seus alunos a superar seus obstáculos, mas dentro da ética e do respeito à liderança deles. Se for o caso, procure o discipulador para tratar de algum problema específico, mas nunca tome partido dentro de sala baseado no que ouve por parte dos alunos, pois o discipulador do mesmo pode ter uma outra versão para o problema.

A questão é que muitas vezes o aluno manipula uma situação para “testar” o professor. Se este não tiver sabedoria e discernimento, pode acabar caindo num laço e isso pode trazer conseqüências drásticas para toda a turma.

Nunca deixe de criar uma empatia com os alunos, mas sala de Escola de Líderes não é lugar para “pescar” discípulos. Isso mata a visão.

6 – A ÉTICA DA DISCIPLINA

A disciplina e organização pessoal deve ser a marca registrada de todo líder. No caso dos professores da Escola de Líderes é crucial para a formação de uma liderança, também disciplinada e comprometida.

O problema que vemos é que muitas vezes o professor entra em sala sem o menor preparo, ou sem ao menos ter lido e elaborado um plano de aula com o material que tem em mãos. Ele precisa entender que a apostila dos módulos serve apenas como referencial, não é para ser lida em sala. Se assim fosse não seria preciso “dar aula”, uma vez que o material já está muito bem explicado. Isso acaba com a aula e gera desmotivação por parte dos alunos, pois muitos deles se sentem “enganados” pelo professor.

Antes de entrar em sala o professor já deve saber os objetivos específicos para cada dia de ministração. Ele deve elaborar projetos, dinâmicas, trabalhos e aplicações que levem o aluno a absorver o conteúdo exigido em cada lição. Ele precisa entender que a Escola de Líderes é um lugar de treinamento e treinamento exige dinamismo e criatividade. Ele tem que despertar o interesse do aluno por cada assunto ministrado.

Para que tudo isso aconteça deve haver disciplina. Planejamento exige disciplina. O professor tem que ser aquela pessoa que sempre busca o conhecimento, que sempre está atrás de material que possa acrescentar na vida de seus alunos e gerar crescimento.

Para despertar o interesse pelo conhecimento nos alunos, o professor deve ser o primeiro a dar o exemplo. Ele sempre deve ter uma sugestão de leitura que possa ser fonte de crescimento e maturidade para seus alunos.

7 – A ÉTICA PARA MOTIVAR

O professor nunca deve usar a sala para falar de suas frustrações ou problemas pessoais. Ele está ali para motivar o aluno a vencer obstáculos. Não que ele tenha que ser imune a problemas, mas isso é algo de ele tem que tratar dentro do seu discipulado com seu líder e não na sala de aula com seus alunos. Não quer dizer também que ele tenha que passar para a sala uma imagem de super-homem ou super-mulher acima de qualquer erro. A questão é que ele não deve deixar a aula cair na pieguice.

Geralmente temos alunos que gostam de falar de tragédias pessoais dentro de sala e isso pode acabar gerando uma desmotivação na turma. O papel do professor é administrar a situação e nunca deixar o amor, a fé e a motivação esfriar.

Quando falamos de motivação falamos em encorajar os alunos dentro dos desafios de serem líderes de célula e dar prosseguimento ao seu chamado ministerial. O professor tem um papel de incentivador. Ele está ali para ajudar os alunos a descobrirem e desenvolverem seu potencial diante de Deus e da Igreja.

Seu alvo deve ser fazer o aluno sair da sala com aquele desejo de “querer mais”. O aluno deve sentir prazer em ir para uma sala e não encarar isso como fardo. O professor tem um papel crucial para gerar essa realidade e essa motivação na sala.

Geralmente o professor que não tem frutos na visão não conseguem motivar os alunos, isso porque seu conhecimento se torna ineficaz diante da realidade de vida que se exige nesse treinamento, que é a Escola de Líderes. O dois fatores que mais nos motivam na hora das dificuldades são: o chamado de Deus para nós e os nossos frutos. Frutificar é a melhor maneira de motivar as pessoas. Deus nos chamou para frutificar. O ensino sem a prática é insuficiente para formar novos líderes dentro dessa nova realidade.
   
Poderíamos falar sobre ética em várias outras áreas, mas esses pontos acima já são suficientes para aqueles que querem se candidatar a professor de Escola de Líderes.

Precisamos acabar com a hipocrisia no nosso meio. Muitas vezes entramos em sala querendo ensinar um padrão de vida para nossos alunos e nós mesmos estamos muito aquém daquilo que ensinamos. O aluno precisa de um referencial, de alguém que fez, foi bem sucedido e agora está apto para ensinar.

A nossa aprovação depende do nosso desempenho, sendo que o resultado é demonstrado pelos frutos que conquistamos.

Pr. Silvio de Moura Caetano
Diretor da Escola de Líderes – Igreja Sede
© 2010 - Todos os direitos reservados Ministério Apostólico Luz para os Povos
www.luzparaospovos.org.br   webdesigner: cristiano souza   sistema: coweb