Domingo, 30 de abril de 2017
"Quem se fixa na escuridão não consegue ver o brilho e a exuberância das estrelas" (Ap. Sinomar).

Princípios de Revelação na Palavra III

FUNÇÕES DA ALMA

A Palavra de Deus nos mostra clara e inequivocamente, que a alma humana é composta por três partes: a mente, a vontade e a emoção. A alma é a sede da nossa personalidade, é o nosso ‘‘EU’’. É por esse motivo que, em muitos lugares, a Palavra de Deus chama o homem de ‘‘alma’’. As principais características do homem estão na sua alma, tais como ideais, pensamentos, amor, etc. O que constitui a personalidade do homem são as três faculdades: mente, vontade e emoções.
 

A - A função da vontade

‘‘Disponha agora o vosso coração e a vossa alma para buscardes o Senhor Deus’’ (I Cr 22:19). Buscar é uma função da vontade; vemos que a vontade está na alma. Em Jó 6:7, lemos: ‘‘Aquilo que minha alma recusava em tocar...’’. Recusar é uma função da vontade: ‘‘Pelo que a minha alma escolheria, antes ser estrangulada...’’ (Jó 7:17). Escolher também é uma função da vontade. Vemos então, por esses trechos, que a vontade é uma função da alma.
 
A vontade é o instrumento para nossas decisões e indisposições: queremos ou não queremos. Sem ela o homem seria reduzido a um autômato. É a vontade do homem que também resolve pecar ou servir a Deus. É na nossa alma que está o nosso poder de escolha.
 
B - A função da mente

Provérbios 2:10, 19:2 e 24:14 sugerem que a alma necessita de conhecimento. O conhecimento é uma função da mente, logo, a mente é uma função da alma. ‘‘As suas obras são admiráveis e a minha alma o sabe muito bem’’ (Sl 139:14). Saber é uma função da mente, e, portanto, também da alma.

Lamentações 3:20 diz que a alma pode se lembrar e sabemos que a lembrança é função da mente. Por isso podemos afirmar que a mente é uma função da nossa alma.
 
A mente é a função mais importante da alma. Se a nossa mente for obscurecida, nunca poderemos chegar ao pleno conhecimento da verdade. A nossa mente é renovada para poder experimentar e entender a vontade de Deus, que é revelada em nosso espírito.
 
B - A Função da Emoção

A emoção é uma parte importante da experiência humana. As emoções dão cor à nossa vida, todavia jamais podemos nos deixar ser guiados por elas. Isso porque a emoção é uma parte da alma. As emoções se manifestam de muitas formas: amor, ódio, alegria, tristeza, pesar, saudade, desejo, etc.
 
Em I Samuel 18:1, Cantares 1:7 e Salmo 42:1, percebemos que o amor é alguma coisa que surge em nossa alma. Provando, portanto, que, dentro da alma, existe uma função como a emoção.
 
Quanto ao ódio, podemos ver em II Samuel 5:8, Ezequiel 36:5 e Salmo 117:18 expressões, tais como: menosprezo, aborrecimento e desprezo. Essas são expressões de ódio e, em todas elas, vemos que procedem da alma. A alma, portanto, tem a função de ter emoções, tais como o ódio.
 
Poderíamos citar ainda a alegria em Isaías 61:10 e Salmo 86:4 como uma emoção da alma e ainda a angústia ou o desejo (I Sm 30:6, 20:4; Ez 24:25 e Jr 44:14).
 
Todos os trechos que lemos até agora já servem de base para constatarmos que a alma de fato tem três funções: a mente, a vontade e a emoção. E percebemos também que o espírito do homem tem também três funções ou partes distintas: a consciência, a comunhão e a intuição.
 
Uma das verdades mais importantes da vida cristã é o fato de que, agora, Deus habita em nós, na pessoa do Espírito Santo. Como já dissemos, Cristo agora é a nossa vida. Se falharmos em entrar em contato constante com o Espírito Santo, que habita em nosso espírito, a nossa vida, e, conseqüentemente, o nosso caráter, serão seriamente prejudicados. É realmente muito importante sermos capazes de distinguir aquilo que vem do espírito. Deus fala é no nosso espírito. Se não sabemos a diferença entre alma e espírito, como podemos discernir a voz e a vontade de Deus para nós?
 
A Palavra de Deus nos mostra que aqueles que andam segundo o padrão da alma são chamados carnais. Carnal não é exatamente aquele que anda na prática do pecado. Quem anda na prática do pecado, possivelmente nem tenha nascido de novo, pois “aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado” (Jo 3:9). O carnal é aquele que sinceramente tenta fazer a vontade de Deus e conhecer a sua vontade, todavia, ele o faz exercitando a alma.
 
Nesse sentido, os cristãos que vivem segundo o padrão da alma tendem a seguir aquela função da alma que lhes é mais peculiar. Por exemplo, pessoas mais emotivas tendem a usar as emoções como critério de vida espiritual. Se sentem calafrios e fortes emoções, conseguem fazer a obra de Deus, mas, se estas emoções se vão, também seu ânimo se esvai. Há outros, porém, que recusam esta emotividade da alma e andam segundo o padrão da mente. Estes chegam mesmo a criticar os emotivos como sendo carnais. O que eles não percebem é que andar segundo a mente também é da alma. Estes irmãos tendem a ser extremamente críticos e naturais na obra de Deus. Geralmente, não aceitam o sobrenatural e querem colocar o Espírito Santo nos seus padrões de mente. Há ainda um terceiro tipo de cristão da alma, são aqueles que andam segundo a empolgação da vontade. Poderíamos chamá-los  de crentes ‘‘oba-oba’’. Sempre estão empolgados para realizar alguma atividade, entretanto, o fogo se apaga logo. Não possuem perseverança alguma. Estes crentes chegam mesmo a argumentar em nome de sua pretensa  sinceridade: ‘‘Se eu não estou com vontade, eu não preciso orar nem ler a Bíblia, pois, afinal, Deus não quer sacrifício’’. Parece muito piedoso, mas se trata apenas de desculpas da carne para não servir a Deus. Se andamos segundo a alma, invariavelmente cairemos em um destes três pontos, ou em todos eles. Os que andam na carne não podem agradar a Deus (Rm 8:8).
 
Não devemos pensar que a nossa alma é ruim; isto não é verdade. O erro é caminharmos confiados na sua capacidade de pensar, entender e sentir. Se andamos pela alma já não andamos por fé. Existe algo, entretanto, que devemos fazer com a alma: devemos transformá-la. Veja que o nosso espírito já foi recriado, regenerado. Toda a obra de Deus em nosso espírito já foi completada. O novo espírito é como uma lâmpada que se acendeu dentro de nós. Ela está acesa e nunca mais se apagará. O novo nascimento aconteceu num instante, mas a nossa alma agora deve ser transformada. O processo de transformação da alma é algo que dura a vida inteira.
 
Como a nossa alma deve ser transformada? Pela renovação da mente. A mente é a primeira função da alma. Se mudamos a mente, estaremos mudando toda a nossa vida. A única maneira de mudarmos a nossa mente é conformando-a com a Palavra de Deus. ‘‘E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente...’’. Sou eu mesmo quem me transformo à medida que me encho com a Palavra de Deus. Com relação ao nosso espírito, devemos exercitá-lo constantemente para mantermos contato com Deus; e com relação à nossa alma, devemos transformá-la, conformando-a com a Palavra de Deus.
 
FUNÇÕES DO CORPO

A Palavra de Deus nos diz que o nosso corpo é apenas a nossa casa terrestre. É o lugar o­nde moramos neste mundo. A função básica do corpo é ter contato com o mundo físico.  Paulo nos diz em II Coríntios 5:1-4 que o nosso corpo é a nossa casa terrestre, mas haverá um dia em que seremos revestidos da nossa habitação celestial. O nosso corpo não tem conserto e nem salvação. Precisamos receber outro corpo. No céu não teremos uma nova alma, mas teremos um novo corpo. O nosso espírito foi regenerado, a nossa alma está sendo transformada e o nosso corpo será glorificado. Vemos aqui os aspectos: passado, presente e futuro da nossa salvação.
 
A - Função da sensação

A função da sensação é a porta do nosso ser. Ela se constitui nos cinco sentidos do corpo. Tudo o que entra em nossa alma, entra através dos cinco sentidos. Se desejamos obter vitória sobre o pecado, precisamos disciplinar o nosso corpo para que, através dele, não entre nada sujo ou pecaminoso.
 
B - A Função da locomoção

Evidentemente, é função do nosso corpo se locomover. O nosso corpo é a parte mais inferior, pois é ele que tem contato com o mundo físico, e para o corpo é impossível perceber as coisas espirituais.
 
C - Função de instinto
 
Os instintos são reações do organismo que não dependem do comando da nossa alma. São reações automáticas e em si mesmas não são pecaminosas. Entretanto, elas são a base da concupiscência da carne. Deus criou os instintos bons, mas, por causa do pecado, eles foram degenerados e hoje precisamos exercer domínio sobre eles.
 
Há três grupos de instintos básicos: de sobrevivência, de defesa e sexual. O instinto de sobrevivência inclui o comer, o beber e as necessidades fisiológicas. São inatos; ninguém precisa ensinar a criança a mamar, ela já nasce sabendo. O pecado transformou esse instinto natural em glutonaria e bebedices. O instinto de defesa inclui os atos reflexos de proteção, como esquivar-se, esconder-se, proteger-se. O pecado o transformou em brigas, facções, iras e todo tipo de violência. E o instinto sexual foi corrompido para se transformar em adultério, fornicação, prostituição, sodomia e coisas parecidas. Não devemos permitir que esses instintos naturais, que permanecem em nós, mesmo depois que somos convertidos, nos controlem. O corpo deve ser um servo e não um Senhor.

A Palavra de Deus diz que há algo que devemos fazer com o nosso corpo: ‘‘Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresentais os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional’’. Devemos ofertar o nosso corpo a Deus e trazê-lo debaixo de austera disciplina. Disciplinar não é usar de ascetismo, mas é simplesmente não fazer a vontade do corpo. O nosso corpo, junto com a nossa alma, são a parte do nosso ser natural que, no seu conjunto, é chamada de carne no Novo Testamento. O carnal, então, é aquele que vive no nível do natural, ou seja, no nível da alma e do corpo.


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