Terça, 24 de outubro de 2017
"A adoração é o degrau mais alto na escala da guerra espiritual" (Ap. Sinomar).

Princípios de Revelação na Palavra II

Funções do espírito

O espírito humano possui três funções básicas: intuição, consciência e comunhão.
 
A - A função da intuição

‘‘E vós possuís a unção que vem do Santo, e todos tendes conhecimento’’ (I Jo 1:20). ‘‘Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós e não tendes necessidade de que alguém vos ensine, mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou’ (I Jo 2:27).
 
A intuição é a capacidade do espírito humano de conhecer, de saber, independentemente de qualquer influência exterior. É o conhecimento que chega até nós, sem qualquer ajuda da mente ou da emoção; ele chega intuitivamente. As revelações de Deus e todas as ações do Espírito Santo se tornam conhecidas por nós pela intuição do espírito. A nossa mente simplesmente nos ajuda a entender aquilo que o Espírito Santo revela ao nosso espírito.
 
Muitas vezes, existe algo no nosso íntimo nos impelindo a fazer algo ou nos constrangendo para que não o façamos. Essa sensação interior é a intuição do espírito. Quantas vezes, depois de fazermos alguma coisa, confessamos: ‘‘bem que dentro de mim algo me dizia para eu não fazer’’. Todos podemos testemunhar que, em muitas circunstâncias, passamos por experiências semelhantes a essa. O nosso espírito está funcionando, nós é que não damos crédito. A maioria de nós somos confinados a uma vida exterior e quase nunca damos crédito à voz interior no espírito.
 
As coisas do espírito têm de ser discernidas pelo nosso espírito (I Co 2:14). Jesus sabia, no seu espírito, o que os outros arrazoavam. Paulo foi constrangido no espírito. Em todas essas referências, temos a forma como se manifesta a intuição do espírito. Alguém pode me perguntar a esta altura: como vou saber que é intuição do espírito? Eu não sei como você vai saber, mas você vai saber. Alguém poderá lhe perguntar: como você sabe disso? E você simplesmente dirá: ‘‘Eu sei que sei”. É desta forma que perceberemos a intuição. É um saber que não tem origem na mente e nem no mundo físico. ‘‘Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão dizendo: conhece ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior deles, diz o Senhor” (Jr 31:34).
 
Nós vivemos hoje debaixo desta aliança. Todos são ensinados do Senhor. Você não sabe como chegou a saber disso, mas há algo em seu interior que diz que certas coisas não são verdadeiras. Certa vez, uma irmã confidenciou que sentiu uma grande angústia enquanto um certo pastor estava pregando. Ela não sabia o motivo daquela angústia no espírito. O irmão mais maduro então lhe mostrou que aquele pastor estava ensinando heresia, pois dizia que Jesus não havia ressuscitado dos mortos. A intuição daquela irmã havia rejeitado o ensino, ainda que a sua mente não entendesse bem a mensagem.
 
A intuição se manifesta pela restrição e pelo constrangimento. Por exemplo, podemos estar pensando em fazer determinada coisa. Parece muito razoável, gostamos dela, e resolvemos ir em frente. Mas algo dentro de nós, uma sensação pesada, opressiva, parece opor-se ao que a nossa mente pensou, nossa emoção aceitou e a nossa vontade decidiu. Parece dizer-nos que tal coisa não deve ser feita. Este é o impedimento, ou a restrição da intuição.
 
Tomemos agora um exemplo oposto. Determinada coisa parece irracional, contrária ao nosso deleite, e muito contra a nossa vontade. Mas, por algum motivo desconhecido, há dentro de nós um tipo de constrangimento, um impulso, um estímulo para que façamos. Este é o constrangimento da intuição.
 
É importante ainda frisarmos que há uma diferença entre o conhecer e o entender. O conhecer está no espírito, enquanto que o entender está na mente. Conhecemos uma coisa através da intuição do espírito, a nossa mente é então iluminada para entender o que a intuição conheceu. Na intuição do espírito, conhecemos a persuasão do Espírito Santo, na mente entendemos a orientação do Espírito Santo.
 
O conhecimento da intuição é chamado na Bíblia de revelação. Revelação é o desvendar, pelo Espírito Santo, da verdadeira realidade de alguma coisa. Esse tipo de conhecimento é muito mais profundo que o conhecimento da mente. A unção do Senhor nos ensina a respeito de todas as coisas, pelo espírito de revelação e de entendimento.
 
B - A Função da consciência

É fácil entender a consciência. Todos nós estamos familiarizados com ela. É a capacidade de discernir entre o certo e o errado, não segundo os critérios da mente, mas segundo uma sensação do espírito (Rm 9:1; At 17:16).
 
Quando comparamos Romanos 9:1 e Atos 17:16, vemos que a consciência está localizada no espírito humano. Testificar, confirmar, recusar e acusar são funções da consciência. Em I Coríntios 5:3, Paulo diz que, em seu espírito, julgou uma pessoa pecaminosa. Julgar significa condenar ou justificar, que são ações da consciência.
 
Muito freqüentemente, a consciência condena coisas que a nossa mente aprova. O julgamento da consciência não é segundo o conhecimento mental, mas segundo a direção do próprio Espírito Santo.
 
Na Bíblia existem dois caminhos: o caminho tipificado pela árvore da vida e a do conhecimento do bem e do mal. Não somos exortados na Palavra a andarmos segundo o padrão de certo e errado, mas sim a sermos guiados pelo espírito. Quando você para diante de um cinema, qual é a sua ponderação?  ‘‘Não é pornográfico, não é errado, não faz mal, portanto, eu posso assistir’’. Tais ponderações não são da consciência; é a mente decidindo, independentemente. A consciência não faz ponderações, apenas decide. Há muitas coisas que a nossa consciência recusa, mas a nossa mente aprova. Devemos rejeitar de uma vez por todas o caminhar segundo a mente, segundo a árvore do conhecimento, e seguirmos pelo espírito, pelo princípio da vida de Deus em nós, percebido em nossa consciência.
 
Precisamos ser absolutos para com aquilo que Deus condena em nossa consciência. Nunca devemos tentar explicar o pecado, justificando-o. Sempre que em nossa consciência houver uma recusa, devemos parar imediatamente. Alguns tentam se justificar dizendo que não têm muita convicção se determinada coisa é errada ou não. Romanos 14:23 nos diz que tudo o que não vem de plena certeza e fé é pecado.
 
Só podemos servir a Deus estando com a nossa consciência limpa. Todos nós podemos testificar que a ação da nossa consciência não depende de nosso conhecimento da Bíblia. Muitas vezes sentíamos que algo era errado e só depois descobríamos aquela proibição na Bíblia. Sem que ninguém nos ensinasse, sabíamos que o nosso namoro estava errado, que as nossas finanças estavam desajustadas. Aquele que é nascido de Deus tem, no seu espírito, a voz do Espírito Santo a falar pela sua consciência. Ninguém jamais poderá dizer que não sabia. A nossa consciência tem a função de testificar conosco a vontade de Deus.
 
C - A Função da comunhão

‘‘Meu espírito exulta em Deus meu salvador’’ (Lc 1:47). ‘‘O que une ao Senhor é um só espírito com ele’’ (I Co 6:17).
 
Comunhão é adorar a Deus. Toda comunhão genuína com Deus é feita no nível do nosso espírito. Deus não é percebido pelos nossos pensamentos, sentimentos e intenções, pois Ele só pode ser conhecido diretamente em nosso espírito. Aqueles que não conseguem perceber o seu próprio espírito, não conseguem também adorar a Deus em espírito. Deus é espírito e somente o nosso espírito pode entrar em comunhão com Ele.
 
É no nosso espírito que nos unimos ao Senhor e mantemos comunhão com Ele. Tudo o que Deus faz Ele faz a partir do nosso espírito. É sempre de dentro para fora. Esta é uma maneira bem prática de sabermos o que vem de Deus e o que vem do diabo. O diabo sempre começa a agir pelo corpo, de fora, tentando atingir dentro da alma. É de fora para dentro. Deus, por sua vez, age de dentro para fora.
 
Sempre que formos adorar Deus, devemos nos voltar para o nosso coração, pois é no nosso coração que percebemos o nosso espírito. Não procure exercitar a mente na hora de adorar, exercite o espírito, mediante o coração. É por isso que a adoração com cânticos em línguas é mais eficiente, pois a nossa mente fica infrutífera e podemos exercitar o espírito livremente. Quando o fogo vier queimando, no coração, absorva-o completamente; quando vier como um rio transbordante, beba-o completamente. A comunhão é sempre percebida no coração.
 
2 - COMO SER GUIADO PELO ESPÍRITO

A - Siga o Impulso da Intuição

Devemos lembrar que o homem tem três partes: espírito, alma e corpo. O nosso corpo tem três funções: movimento, sensação e instinto. A alma também tem três funções: mente, vontade e emoções. No nosso espírito tem também três funções: intuição, consciência e comunhão. A intuição é como um impulso dentro do coração. Não é uma voz percebida audivelmente, mas é um impulso. Em Marcos 1:12, lemos que o Espírito impeliu  Jesus. A Palavra ‘‘impeliu’’ é boa, pois denota bem a sensação interior. É perigoso eu ser mal interpretado nesse ponto, pois é certo que existem impulsos do corpo, das emoções e mesmo impulso de demônios. Entretanto, se somos nascidos de novo aprendemos a diferenciar todas essas vozes daquela que vem do espírito. Muitas vezes estou conversando com uma pessoa e repentinamente me vem um impulso de perguntar alguma coisa e invariavelmente aquela pergunta é exatamente o que a pessoa estava com  medo de me contar. É uma sensação interior, não é uma voz audível. Isso pode aparecer muito místico, mas ouça-me, se desejamos andar no espírito, devemos ser livres do natural e entrarmos no sobrenatural. Um amado me contou que recentemente estava passando de carro em uma rua, quando sentiu um impulso de parar e dar uma Bíblia de presente a dois jovens que estavam conversando em uma esquina. Ele parou, se dirigiu aos jovens e perguntou a eles se gostariam de ganhar uma Bíblia de presente. Aqueles jovens se entreolharam perplexos e disseram que naquele instante estavam exatamente discutindo se a Bíblia  era ou não verdadeira. Aqueles jovens certamente se converteram.
 
Um outro irmão saiu para comprar calças em uma loja para homens. Um vendedor veio atendê-lo, e este irmão se sentiu impelido a perguntar também ao vendedor se ele não gostaria de ganhar uma Bíblia. O vendedor assentiu e dentro de poucos instantes, o irmão estava pregando para todos os vendedores e o gerente resolveu fechar a loja para que todos pudessem receber oração. Tudo isso aconteceu porque aquele irmão seguiu o impulso do espírito. Sem nenhum motivo especial para aquilo, ele parou e seguiu o impulso e os frutos apareceram. O primeiro princípio para sermos guiados pelo espírito é seguir o impulso do Espírito. Esse impulso é no nosso  espírito e não em nossa emoção ou corpo. É algo inteiramente espiritual.
 
B - Siga o Testificar do Espírito

O próprio Espírito testifica  com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8:16). I Coríntios 6:17 diz que aquele que se une ao Senhor é um só espírito com Ele. Isso significa que o nosso espírito, depois que nascemos de novo, é como que amalgamado, unido por uma argamassa, vinculado, com o Espírito Santo.
 
O testificar do espírito é uma convicção profunda que não  tem origem em nada natural. Muitas vezes a nossa mente rejeita essa convicção pelo temor e insegurança. Deus fala conosco todo o dia, nós é que não damos crédito, pensando que são coisas da nossa mente. Que o Senhor separe a nossa alma do nosso espírito ! 
 
Se o Senhor vem com um  testificar em nosso espírito, a melhor coisa a fazer é checar a convicção com outros irmãos mais amadurecidos. Mas se mesmo depois disso não tivermos clareza na direção, o melhor é correr o risco. Provavelmente cometeremos muitos erros, mas estaremos exercitando o nosso espírito, e chegará o ponto em que virtualmente não cometeremos equívocos. No processo de crescimento, é normal que nos equivoquemos, não devemos nos cobrar perfeição e nem tão pouco pensarmos que depois de algum erro, Deus nos abandonou e não vai mais nos usar.
 
C - Siga a Paz do Espírito

Seja a paz de Cristo o árbitro nos corações... (Cl 3:15). A paz é o árbitro em nosso coração. O árbitro é o juiz, aquele que decide. Com o coração podemos entender o nosso espírito. Nós percebemos o nosso espírito no coração. Existe uma paz que excede todo entendimento. O testificar muitas vezes vem como um fogo que queima no coração; a paz, porém, é como manancial de águas tranqüilas. É como se o mundo estivesse desabando, mas dentro do coração as águas estão tranqüilas.
 
D - Siga a Vida

A quarta maneira é seguirmos a vida interior do coração. Se estamos para ir a um cinema, por exemplo, não devemos consultar a mente, mas a vida em nosso coração. Se a vida se agitou no interior, não devemos entrar. A sensação  quando o espírito é constrangido por Deus, se parece um pouco com náusea. É uma sensação no meio da barriga, no ventre. Esse constrangimento sempre aparece quando entramos em uma direção que Deus não aprova. Se vamos comprar um carro e surge esse constrangimento no interior, não devemos comprar. Isso vale para todas as coisas até aquelas mais insignificantes. Tudo o que me diz respeito é importante para o Senhor. Ele está preocupado com cada detalhe da minha vida. Nunca devemos permitir que as águas interiores fiquem tumultuadas. No nosso coração as águas sempre devem estar tranqüilas.
 
O andar no Espírito não é uma questão de certo ou errado, bem ou mal. Existem dois caminhos diante de nós: o caminho da árvore do conhecimento e o caminho da árvore da vida. Andar pela árvore do conhecimento é carne. Esses são aqueles que sempre estão perguntando se isso é certo ou errado. Aqueles que andam pela árvore da vida não perguntam se é pecado ou não, se é bom ou mal, certo ou errado, eles perguntam qual é a vontade de Deus.
 
Não devemos fazer nada que constranja essa vida dentro de nós, ainda que pelos critérios da mente seja algo bom e até recomendável. Se a vida rejeitou, não devemos fazer. Existem muitas coisas que não são pecaminosas em si mesmas, mas que Deus rejeita e outras vezes podemos pecar contra Deus até mesmo pregando, louvando ou fazendo missões. O critério para a vida no Espírito não é o certo ou o errado, mas a vontade de Deus.
 
Creio que não deveríamos ensinar leis de certo e errado para os novos convertidos, mas estimulá-los a perceberem a direção de Deus pela vida no nosso espírito. Se somos rápidos em dizer aos outros o que é certo e o que é errado, estamos tirando preciosas oportunidades de eles mesmos entrarem em contato com o Senhor.
 
Ser cristão não é ser guiado por um código de conduta, nem por um conjunto de normas e éticas sociais. Ser cristão é ser guiado pelo Espírito de Deus.

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