Terça, 24 de outubro de 2017
"O ouro é testado pelo fogo e os vencedores, pela adversidade" (Ap. Sinomar).

Princípios de Revelação na Palavra I

Todo homem é espírito, alma e corpo. A concepção geral das pessoas é a de que o homem é apenas corpo e alma. Todavia, é importante ressaltarmos que o homem é um ser triuno: corpo, alma e espírito. Em I Tessalonicenses 5:23 lemos: ‘‘O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo’’.

 
Espírito e alma não são a mesma coisa.
Caso fossem a mesma coisa, qual a necessidade de separá-los? Pois em Hebreus 4:12 Paulo nos diz que a Palavra de Deus é viva e eficaz e penetra até o ponto de dividir alma e espírito. Alma e espírito, portanto, não são a mesma coisa.
 
Mas, qual a necessidade de estudarmos sobre esse assunto?
Porque precisamos saber que o homem é espírito, alma e corpo! Isso é fundamental sob muitos aspectos. Essa é a base para a compreensão de todo o fundamento da fé. Vejamos algumas razões pelas quais nos é imprescindível aprendermos, não apenas que o homem possui uma dimensão tríplice, mas também a necessidade de sabermos discernir o nosso próprio espírito humano.

Em primeiro lugar, Deus é espírito - Em João 4:24, lemos: ‘‘Porque Deus é espírito...’’ Ora, para que possamos ter contato com a matéria, precisamos ser matéria, do mesmo modo, para que possamos ter contato com Deus, que é espírito, precisamos ser um espírito. Não podemos ouvir de Deus com os nossos ouvidos físicos, nem tão pouco olhá-Lo com nossos olhos da carne. Todavia, nós podemos conhecer a Deus. Como viemos a conhecê-Lo? Evidentemente, pelo espírito. É por meio do nosso espírito que entramos em contato com Deus. Se falharmos em discernir o nosso próprio espírito, poderemos conhecer a Deus?

Em segundo lugar, o próprio conhecimento espiritual é adquirido no espírito - Em I Coríntios 2:14, lemos: ‘‘Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura, e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente’’. Veja bem que todo conhecimento que tem valor na vida cristã é adquirido espiritualmente. As coisas espirituais se discernem espiritualmente, ou seja, pelo espírito. O homem natural, por ter o seu espírito morto, não consegue entender as coisas do Espírito. O problema é que muitos cristãos, apesar de nascidos de novo, ainda usam as suas mentes para entender coisas que só se discernem espiritualmente. Aqueles que não sabem discernir o próprio espírito, normalmente lêem a Bíblia usando as suas mentes, e, por isso, retiram tão pouco proveito dela.

Em terceiro lugar, o novo nascimento é algo que ocorre inteiramente em nosso espírito - ‘‘O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito’’ (Jo 3:6). Quando Adão pecou, ele morreu, e bem assim toda a sua descendência. A morte de Adão não foi de imediato uma morte física, mas espiritual. O seu espírito morreu para Deus. Não que o homem natural não tenha espírito, mas o seu espírito está morto, incapaz de manter contato com Deus. O novo nascimento é o renascer deste espírito para Deus.

Em quarto lugar, a adoração é algo que é feito no espírito - Se falharmos em perceber o nosso próprio espírito, a nossa adoração será comprometida. O máximo que iremos alcançar será um louvor no nível da mente, da alma. Deus é espírito e deve, portanto, ser adorado em espírito (Jo 4:24).

Em quinto lugar, em todo o Novo Testamento somos exortados a andar no espírito - Neste ponto alguém pode questionar: “É, mas aí não se refere ao Espírito de Deus”? Mas, quando nós entendemos que aquele que se une ao Senhor é um só espírito com Deus, fomos unidos a Ele, amalgamados, ligados indissoluvelmente. O Espírito Santo não habita na alma, e sim em nosso espírito humano recriado. Toda direção que o Espírito nos dá vem através do nosso espírito. O nosso espírito é a parte do nosso ser que tem a função de contactar a Deus. O espírito é como um rádio que tem a capacidade de sintonizar as o­ndas que vêm do trono de Deus. Falhar em discernir o próprio espírito pode ser extremamente trágico para um padrão de vida abundante. A nossa vida cristã, em última análise, consiste em sermos guiados pelo Espírito. Se eu não consigo ouvir o que o Espírito Santo está dizendo, como serei guiado por ele? Esse é o centro da vida cristã: Deus habita em nós na pessoa do Espírito Santo, nos moldando e nos guiando a toda verdade. Isso não pode ser mera doutrina, tem de ser revelação em nosso espírito. Esse é o ápice da revelação de Deus, que Cristo Jesus habita em nós sendo a nossa própria vida. A vida cristã consiste em duas substituições: a primeira na cruz, o­nde ele morreu em nosso lugar; e a outra no nosso dia a dia, o­nde ele vive a vida cristã por nós. Tudo é  feito por sua graça: a salvação e a santificação.

Em sexto lugar, a Palavra de Deus diz que somos seres espirituais - Eu sou um ser espiritual, eu sou da natureza de Deus, fui feito à sua imagem e semelhança (Sl 82:6). Não devemos pensar que somos o nosso corpo. Nós somos espírito; e é por isso que nós somos aptos para ter comunhão com Ele, para ouvir e falar com Ele. Em I Coríntios 14:14, Paulo diz: ‘‘Se eu orar em outra língua, então meu espírito ora...’’. Veja a forma como ele diz: ‘‘se eu orar... então meu espírito ora’’; veja que o ‘‘EU’’ e o ‘‘espírito’’ são a mesma coisa, mostrando que Paulo se via como um ser espiritual.  Evidentemente nós não somos apenas espírito, somos também alma e corpo. Em Romanos 7:18, Paulo também diz: ‘‘Porque eu sei que em mim, isto é na minha carne...’’. Veja que ele também diz que ele é matéria. Nós somos um ser triuno. A divisão que ora fazemos é apenas visando facilitar a aprendizagem. Eu sou apenas um homem e não três. Espírito, alma e corpo são partes de um único ser: o homem. Entretanto, o nosso corpo será glorificado, pois o corpo que hoje possuímos é apenas a casa o­nde moramos nesta terra. Paulo nos diz em II Coríntios 5:1-2; que o corpo é apenas a nossa casa terrestre; quando estivermos com o Senhor receberemos uma habitação celestial. Podemos dizer então que nós somos um espírito que tem uma alma e habita em um corpo celestial.

Em sétimo e último lugar, somos exortados a orar sem cessar no espírito (Ef 6:18, I Co 15:15) - Existe um tipo de oração que é feito no nível do espírito. Como poderei fazer esse tipo de oração, se eu nem mesmo sei que possuo um espírito? A adoração é no espírito, mas a oração também é. Vemos que a prática normal da vida cristã implica numa compreensão clara de que somos um ser espiritual, que possui uma alma e habita em um corpo.
 
Toda a nossa vida cristã consiste em aprendermos a exercitar o nosso espírito humano recriado para contactar o Senhor, e sermos por Ele guiados. Tudo o que nós necessitamos para alcançarmos uma vida cristã plena e frutífera já nos foi dado pelo Espírito Santo que habita em nós. Se desejamos crescer na vida cristã, precisamos de revelação. Revelação é o conhecimento que nos é transmitido pelo Espírito Santo ao nosso espírito. Revelação não é descobrir algo que ninguém nunca tenha visto antes, pelo contrário, não existe nada novo, tudo já está escrito. Quando a luz de Deus brilha no nosso espírito, então há revelação. Se desejamos obter revelação de Deus e de Sua Palavra, precisamos aprender a perceber o nosso espírito.
 
Há uma grande diferença entre o conhecimento mental e o conhecimento espiritual. Talvez nunca tenhamos questionado porque há tantos filhos de Deus que conhecem a Bíblia e esse conhecimento não os afeta de forma alguma. Esse problema acontece porque conhecem a Bíblia apenas intelectualmente; não têm revelação.
 
Por todo o Novo Testamento, nós podemos ver que a maior preocupação de Paulo era a de que os crentes tivessem revelação de Deus. Se observarmos atentamente as orações de Paulo mencionadas nas epístolas, constataremos que o seu alvo de oração era único: revelação. Paulo não orava pelo crescimento da Igreja. Paulo não orava por novos líderes nem por algo semelhante. Como seria mudada a nossa prática de igreja se tomássemos, como nossas as orações de Paulo? Simplesmente porque quando há revelação, naturalmente as pessoas serão transformadas pela ação da Palavra. Espontaneamente, a fé se manifestará, e a unção e a vida de Deus irão transbordar. ‘‘Para que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes...’’ (Fp 1:9); ‘‘E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção...’’.
 
Se observarmos todas estas orações veremos que o tema é único: revelação. A revelação é algo que ocorre primeiramente no nosso espírito. O Espírito Santo transmite uma verdade ao nosso espírito, e o nosso espírito, para a nossa mente. A mente por si só não pode ter revelação de Deus; é o nosso espírito que tem essa função. Muitos crentes vivem só como homens naturais, não podem discernir as coisas do espírito, pois não sabem usar os seus próprios espíritos para discernir a verdade de Deus.
 
Alguém poderá estar se perguntando a esta altura: como posso perceber o meu espírito? Eu sei perceber o meu corpo e também sei perceber a minha alma, ou seja, minha mente e emoções, mas como posso perceber o meu espírito? Essa pergunta é importante e, na medida em que avançarmos no nosso estudo, teremos maior esclarecimento. Mas desde já podemos entender que o nosso espírito muitas vezes é chamado de coração na Bíblia (os dois termos nos parece que são intercambiáveis). Em Romanos 2:28-29, lemos: “Porque não é judeu quem o é exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus”.  Podemos perceber Paulo explicando que o coração é o espírito, ou pelo menos é o meio pelo qual ele pode ser percebido. Não devemos pensar que o coração seja este órgão físico que pulsa em nós. Quando a Bíblia fala de coração, ela está falando de algo íntimo, das profundezas do nosso ser.


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