Terça, 24 de outubro de 2017
"Deus não avalia o homem pela cabeça, mas pelo coração" (Ap. Sinomar).

FUNDAMENTO DA NOSSA IDENTIDADE EM CRISTO

       Estamos começando uma nova série chamada identidade, baseada no livro de Efésios. Nessa série vamos abordar temas como: Quem nós somos? O que nos leva a pensar e agir da maneira que agimos? O que nós fomos criados para ser? O que é identidade e como ela nos afeta?

       Se você ousar fazer essas perguntas a você mesmo, as respostas podem mudar sua vida.      

       Nesta primeira mensagem vamos usar como base o capítulo 1 de Efésios. Sendo assim, é necessário abordar o contexto da carta aos Efésios.

       A igreja em Éfeso, foi fundada pelo apóstolo Paulo em cerca de 53 A.C. e foi uma das igrejas mais proeminentes da igreja primitiva. Em sua maior parte, a Igreja em Éfeso era constituída por gentios. A cidade era muito conhecida pelo templo de Diana (capítulo 2) e a idolatria. Assim era uma cidade muito religiosa e as pessoas estavam vindo a Cristo de um fundamento de idolatria e feitiçaria. Apesar de serem expostos aos ensinamentos de Paulo por três anos nos fundados da fé, Paulo observou que esses gentios que se tornavam filhos de Deus não sabiam quem eram em Cristo e estavam longe de viver a plenitude da vida cristã, pois eles não estavam conscientes de sua identidade cristã. Paulo reforça a sua identidade no corpo de Cristo, mostrando que a igreja é uma com Cristo, que é a Cabeça, a Pedra de Canto, o Noivo e a Igreja é a Noiva, sentada com Cristo nos lugares celestiais. Paulo usa os três primeiros para estabelecer a teologia da identidade cristã e mostrar quem esses crentes são em Cristo, e os três últimos capítulos tentando explicar como viver isso e experimentar a plenitude da vida cristã. 

Introdução: Nossa identidade tem uma origem.

Efésios 1:3,4 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor. 

       A pergunta “quem sou eu” não é a pergunta adequada para você descobrir quem você é. Antes de uma criança poder entender quem ela é, ela precisa olhar pra traz e perguntar: de onde eu vim? Quando trazemos isso para a perspectiva de que nós somos filhos de Deus, se quisermos descobrir quem nós somos em Cristo precisamos voltar ao nosso começo e entender como o nosso criador, antes da fundação do mundo, nos projetou para ser e porque Ele nos criou desta forma.

       Se começamos com a pergunta “quem eu sou?”, a resposta vai ser dirigida pela minha história e minhas experiências – o que eu faço, o que eu sinto, o que eu penso… e isso sempre vai te levar às respostas erradas. Mas devemos começar com a seguinte pergunta: Qual o propósito de Deus, nosso criador, ao me criar?      

Fica claro no em todo o cap.1 de Efésios (leia Ef 1:15-12) é que sempre foi o propósito de Deus encher sua criação com Sua própria essência com o fim de que o próprio nome de Deus seja glorificado. Esse é o tema central do capítulo 1.. A estratégia de Deus é se manifestar na Terra através da Sua criação. Para isso, ele compartilha de Si mesmo, das suas bênçãos, da Sua herança e da Sua plenitude com cada um de nós para que nós possamos expressar aquilo que Deus é.  Deixando claro que a nossa identidade, começa em Deus e não em nós mesmos.        Deus criou o homem para expressá-Lo de maneira que o próprio homem se sente realizado ao cumprir esse propósito. Por isso o homem só pode ser plenamente realizado ao cumprir o propósito de Deus porque, na essência, é isso que somos, um projeto divino para a manifestação da presença de Deus na Terra. Portanto, para começar esse estudo de identidade precisamos olhar para traz, para a nossa origem, para o livro de Genesis, e então descobrir qual é o mistério que Paulo tanto orava para que fosse revelado aos Efésios – O mistério da identidade cristã.

       Olhando para o livro de Gênesis, há dois elementos que procedem de Deus e definem quem nós somos, a nossa identidade. Esses dois elementos são a vida e o amor. 

Primeiro elemento: a vida

Gn 2:7 “Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente.”

 

       Vemos que Deus sopra de Si mesmo em Adão, de Sua própria vida. Esse texto é importante porque ele nos mostra o primeiro passo de Deus para cumprir o propósito de encher o mundo com Sua natureza. Vamos analisar o processo da criação porque é aqui que começamos a entender nossa real identidade. Vamos fazer uma pergunta: O que fez com que Adão fosse Adão? A resposta dessa pergunta é o que pode mudar a sua vida hoje. Deus toma o barro e forma a imagem de um homem, mas o barro ainda não era um homem, era apenas a imagem do homem. Quando Deus sopra Sua própria vida nas narinas daquele barro, ele se torna uma alma vivente. Adão só se torna “alguém” quando recebe o sopro da vida de Deus. Foi o sopro de Deus que transformou uma escultura de barro em alguém; uma pessoa. Isso aconteceu a aproximadamente a 6 mil atrás. Com o passar do tempo nós nos esquecemos de perguntar aquilo que somos e pensamos que tudo o que Deus quer de nós é que nos comportemos bem, quando na verdade, o que Deus realmente quer é que nós sejamos cheios com Sua vida novamente. Isso foi o que fez Adão ser o que ele foi e continua sendo a única coisa que faz com que sejamos o que Deus quer de nós.

 

       O que fez Adão ser Adão é o mesmo que faz o João ser o verdadeiro João que Deus projetou. É assim que começamos a entender quem nós somos. Nossa identidade é definida pela nossa origem, pelo Espírito que habita em nós e que vive através de nós. Desde o início, o homem foi desenhado para ter vida através do sopro de Deus, para que o próprio Deus possa viver em nós e através de nós. Isso é o que faz com que sejamos quem Deus quer de nós. 

       Agora que entendemos que nossa identidade está associada com a vida de Deus, vamos fazer uma outra pergunta: Qual o inimigo da vida? A morte. A palavra morte significa “separação de Deus”; essa é a verdadeira morte, não a morte física, porque a morte física é apenas o fim da nossa vida terrena, mas a morte eterna é a separação eterna de Deus (essa é a segunda morte). Morremos quando nos desconectamos de Deus. O diabo está trabalhando constantemente para nos desconectar desse fluir de vida que vem de Deus e nos enche, dando sentido verdadeiro a nossa vida. O sopro de vida é a primeira coisa que faz de nós o que realmente somos e se Satanás conseguir desconectar você desse “sopro” ele está destruindo a sua identidade. Em outras palavras, ele vai conseguir fazer com que você seja algo que você não é segundo o projeto de Deus. Então, primeiro precisamos entender que a vida de Deus é a fonte da nossa identidade.

       A vida foi projetada para vir para nós e não para partir de nós. A vida vem de Deus para nós e flui através de nós. Precisamos entender esse processo: “de – em – através”. A vida vem “de” Deus para habitar “em” nós e para se manifestar “através” de nós. Eu estou te explicando isso para que você entenda que aquilo que nós somos só vai se manifestar quando estivermos conectados com a fonte; o sopro de Deus que faz de nós quem nós somos. Por isso nosso objetivo como cristãos nunca pode ser bom comportamento, mas relacionamento com Deus. Esse é o ponto mais importante desta mensagem, porque é a vida de Deus compartilhada conosco que faz com que eu seja o que eu sou e as minhas atitudes se tornam apenas o resultado do meu relacionamento com Deus e não um fruto do meu esforço.

       Quantas vezes você se viu tentando fazer algo para Deus para agradar a Deus? Todas as vezes que tentamos agradar a Deus fazendo alguma coisa nós erramos o alvo. Se você está tentando fazer alguma, na verdade o processo está começando em você. 

Segundo elemento: o amor

       Aprendemos que o sopro de Deus define nossa identidade. Deus compartilha da Sua própria essência conosco para fazer de nós quem nós somos. Agora, vamos fazer uma outra pergunta: Qual é a natureza de Deus? Deus é amor.

1 Jo 4:8 Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.

1 Jo 4:16 Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.

 

O inimigo da vida é a morte, mas o inimigo do amor é o medo. Assim como não pode haver no mesmo lugar vida e morte, luz e trevas, também não pode haver amor e medo. Podemos colocar assim, a morte é a ausência de vida, as trevas é a ausência de luz e o medo é a ausência de amor.

1 Jo 4:18 No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.

       O amor é o que motivou Deus a nos criar e, por ser a Sua essência, foi isso que recebemos de Deus quando fomos criados. Se a natureza de Deus é o que nos define, qualquer coisa que seja contrário a natureza de Deus nos faz ser algo que não somos. Quando andamos no medo, na ira, na falta de perdão, etc., nós estamos evidenciando que estamos desconectados da fonte e, portanto, nos desviando da nossa verdadeira identidade.

       Vamos voltar ao Éden para entender isso melhor. Quando Deus planta duas árvores no jardim, Ele dá ao homem uma escolha (OBS: Isso faz parte da essência de Deus, pois quem ama não controla, mas dá liberdade). Essas árvores representam duas fontes. A árvore da vida era a maneira de Deus de dar conhecimento ao homem, enquanto a árvore do conhecimento do bem e do mal era uma outra fonte de conhecimento. No momento em que Adão e Eva comeram da segunda árvore, houve uma mudança no fundamento da identidade humana.    A maioria de nós pensa nessa história apenas pela perspectiva de mal comportamento, ou seja, Adão e Eva quebraram uma regra, agora Jesus precisava vir ao mundo para pagar a dívida por causa dessas leis quebradas. Na realidade o que aconteceu foi muito mais sério do que uma regra quebrada. Até aquele momento, a vida de Deus e o relacionamento com Deus era a fonte de conhecimento de Adão e Eva. Eles literalmente decidem se desconectar desta fonte.  Eles se desconectam da árvore da vida e eles se viram e escolhem para eles nova fonte. Essa nova fonte era o “conhecimento”. Aqui está o problema da humanidade – o homem troca a vida pelo conhecimento. Essa nova fonte se torna “um novo caminho”, uma nova maneira de saber, de ser e de ver o mundo, independente da vida de Deus. E quando isso acontece, quando eles se desconectam da sua fonte original o resultado é o medo, e esse medo é o medo da punição; do castigo de Deus por ter quebrado as regras. Entenda que não havia razão para o homem ter medo de Deus porque Deus não disse: Se você comer do fruto certamente eu vou te matar. Ele disse: você certamente morrerá. Teoricamente, o homem deveria ter corrido para Deus clamando por socorro, pois Deus era o único que poderia livrá-los da morte, mas em vez disso o homem corre de Deus. Isso mostra como a essência do relacionamento entre Deus e o homem muda e a identidade do homem passa a ser regida pelo medo da punição e não pelo amor. Como resultado, o controle do comportamento passa a ser o objetivo principal do homem que é movido pelo medo do castigo. Ele perde a conexão com sua fonte de vida e amor.

 

       Quero te dar um exemplo pra você compreender bem o que eu estou tentando te mostrar. Se eu tivesse um sério problema de vista e perdesse os meus óculos eu teria um problema duplo. O primeiro é óbvio, eu perdi meus óculos, mas o segundo é pior, eu perdi exatamente o que eu preciso para encontrar as coisas.

       Adão e Eva tinham uma maneira de conhecer, e essa maneira é o que os conectava com Deus. Essa maneira era o relacionamento diário deles com Deus. Quando eles comem da árvore do conhecimento, eles não perdem apenas a sua fonte, mas eles também perdem a maneira de encontrar o seu caminho de volta para a fonte. Eles tinham agora uma nova fonte, o conhecimento. O homem passa a se utilizar da fonte do conhecimento na tentativa de encontrar a verdade e é assim que nascem as religiões; elas nada mais são do que uma tentativa humana de encontrar um caminho pra Deus através de regras que controlam o comportamento das pessoas, com a promessa de que, se elas se comportarem bem, vão conseguir agradar a Deus e serem salvas. É justamente isso que o Cristianismo não pode ser.    

       Esse é o retrato de um homem que está completamente perdido, não apenas porque ele não pode ver, mas principalmente porque ele pensa que pode ver. Ele tenta voltar a Deus pelo caminho do conhecimento e pensa que, se formos capazes de distinguir o bem e o mal e formos bons o suficiente para fazer o bem, assim estamos fazendo a vontade de Deus.

       Agora veja o que Jesus diz: “Eu sou o caminho”, “Eu sou o pão vivo”, “Eu sou a água viva”… em outras palavras, eu sou a fonte de vida que você perdeu no Éden. O centro do Cristianismo é reconectar o homem à sua fonte de vida para que sua identidade seja restaurada e o homem possa glorificar a Deus na Terra cumprindo o propósito da sua existência. Não podemos redescobrir a vida de Deus através do conhecimento, a vida precisa vir a nós. Foi assim desde o princípio. O que Jesus faz antes de ser elevado? Ele sopra sobre os discípulos e então os discípulos são reconectados a Deus. Eles recebem o Espirito Santo, da mesma forma que aconteceu no jardim do Éden.

 

Restaurando a Identidade

 

       Somos todos criados a imagem e semelhança de Deus. Mas como voltar a ser aquilo que Deus projetou?

       A arma mais poderosas que Deus nos deu é a nossa vontade. O exercício da vontade pode mudar tudo. Você precisa entender como as suas escolhas podem transformar a sua vida, mas para isso você precisa entender como Deus projetou o funcionamento da sua vontade.

       Nós, por nascimento, estamos conectados à arvore do conhecimento do bem e do mal, por isso nós pensamos que a nossa vontade foi desenhada para que eu possa me manter longe das coisas ruins e escolher fazer o que é bom, em outras palavras, eu penso que eu preciso exercitar minha vontade para escolher entre o bem e o mal. Isso parece certo, não parece? Mas não funciona. Porque? Por dois motivos. Primeiro porque o poder por traz dessa escolha “ainda sou eu”, o meu conhecimento. Segundo porque o bem e o mal são dois ramos diferentes da mesma árvore. A árvore do conhecimento do bem e do mal é apenas uma árvore com dois ramos, um bom e um ruim, mas apenas uma fonte, apenas um tronco.

       Aqui está o que Jesus disse: O ladrão veio para roubar, matar e destruir, mas eu vim para te ensinar a ter bons comportamentos e escolher fazer o bem até que eu retornar. Certo? Não, mas ele disse: O ladrão veio para roubar, matar e destruir, mas eu vim para que tenham vida, para te dar justamente o que você perdeu no jardim e restaurar sua identidade. Jesus não veio para fazer as pessoas más se comportarem bem, mas pra trazer aquele que estavam mortos à vida.

Jesus não veio para que você aprenda a escolher entre os dois ramos da árvore do conhecimento, mas para que você aprenda a escolher entre duas árvores, entre duas fontes. Nossa escolha é entre nosso conhecimento ou nosso relacionamento com Ele, que é a única coisa que pode reestabelecer o fluir de vida em nós. Esse é o problema que Jesus veio resolver. Ele não veio te livrar da lei para que você vivesse em um sistema novo de leis. Ele veio para te reconectar à vida. Ele é o caminho, a verdade e a vida. O caminho (a maneira de se conectar a Deus), a verdade (que o homem tenta encontrar através do conhecimento) e a vida (que o homem perdeu ao se desconectar de Deus).

 

Conclusão: Não podemos ser definidos pela nossa história, nossos conceitos, nossas crenças, etc. Precisamos ser definidos como filhos de Deus. Nós somos tudo aquilo que Deus, através de sua palavra diz que nós somos. Acima de qualquer outra coisa, a Bíblia nos fala que nós somos filhos, que nós somos livres e que nós somos amados por Deus. E essa é a base da nossa identidade em Cristo; somos filhos amados do Deus altíssimo!

 

Declare isso: Eu nasci para glorificar a Deus. É isso que eu sou. Eu sou livre para ser tudo o que Deus quer que eu seja. Eu sou filho, eu sou amado, eu tenho a vida de Deus em mim. Eu não sou escravo do medo porque eu sei que Deus me ama e faz com que todas as coisas cooperem para o meu bem. Eu fui criado para cumprir os planos de Deus na Terra e nada vai me impedir de cumprir esse propósito. Eu não aceito mais as mentiras do diabo a meu respeito. Eu não sou definido por minha história, nem por aquilo que as pessoas dizem de mim. Eu sou definido por aquilo que eu sou em Cristo. Eu sou livre do medo, eu sou livre da culpa, eu sou filho de Deus.

 

Julho 2017

Bpo. Jonatas Silveira

© 2010 - Todos os direitos reservados Ministério Apostólico Luz para os Povos
www.luzparaospovos.org.br   webdesigner: cristiano souza   sistema: coweb