Terça, 24 de outubro de 2017
"A educação que exclui Deus do seu bojo acaba formando verdadeiros monstros, e não homens. O mundo está coalhado de bandidos educados" (Ap. Sinomar).

ENSINE OS FILHOS A PROSPERAR

 SÉRIE: COMO PROSPERAR EM TEMPOS DE CRISE 

- SEGUNDA PALAVRA: ENSINANDO OS FILHOS -

INTRODUÇÃO

Sabemos que estamos vivendo tempos difíceis em todos os sentidos; não apenas financeiramente, mas também moralmente. Existem muitos valores que estão distorcidos e temos dificuldades em passar aos filhos os valores que a Bíblia nos apresenta. 

Para passarmos qualquer princípio bom aos nossos filhos, precisamos primeiramente viver esses princípios. Hoje devemos aprender como podemos ensinar nossos filhos a se tornarem bons administradores e equilibrados financeiramente.

Isso era impossível há cinquenta anos atrás, pois o que se sabia sobre “crianças” era que “criança não deveria entrar em conversa de adulto”. Hoje sabemos que as crianças são inteligentes, espertas, astutas, e precisamos ensiná-las o caminho melhor para seguir nesta vida e na vida futura também.

“Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles” (Pv 22:6).

Primeiramente quero lhe fazer uma pergunta: “Como você tem administrado suas finanças”? Não importa se você é um empresário bem-sucedido ou uma pessoa que está passando por momentos de dificuldades. Ensinar as crianças é um dever dos pais.

Muitos pais passam uma carga para os filhos em vez de ensinar-lhes os valores reais. Ex: Pais que cobram – de certa forma – o dinheiro que eles gastam com educação, pais que ficam reclamando o gasto com o supermercado e outras coisas mais.

Para alguns adultos, principalmente casais, lidar com dinheiro é um “problema”. Por isso, começar cedo, desde criança, é o melhor a fazer. Nós podemos ensinar nossos filhos a serem mais responsáveis diante desse assunto. Seu filho precisa estar preparado para sobreviver nesses dias que virão... e que não serão fáceis!

“Não se gabe do dia de amanhã, pois você não sabe o que este ou aquele dia poderá trazer” (Pv 27.1). Portanto, prepare seu filho para o amanhã. “Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a lei” (Rm 13.8).

É muito ruim quando estamos endividados. Sei que existem circunstâncias que não podem ser planejadas por nós – são momentos que nos pegam de surpresa, como: uma enfermidade, um acidente ou até mesmo um assalto. Mas, mesmo se passarmos por momentos que nos levam a um gasto extra, ou que nos fizeram contrair alguma dívida, devemos olhar com fé para o Senhor que supre cada uma de nossas necessidades e tentarmos uma recuperação debaixo de planejamento.

 "Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la? Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem rirão dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar” (Lc 14:28-30).

O texto nos fala de uma construção. Em nossa vida tudo é construção; até nós mesmos estamos sendo construídos. Por isso devemos aprender a calcular. Planejar o pagamento das dívidas – se for esse o seu caso:

·         Planejar a construção da casa;

·         Planejar o término da faculdade;

·         Planejar a criação e a formação de nossos filhos.

Vamos formar em nossos filhos uma mentalidade empreendedora, sem colocar no coração deles a ambição desmedida pela riqueza. Como fazer isso?

1 - COMEÇANDO CEDO – Seu filho com 2 e 3 anos de idade já pode conhecer as cédulas e suas diferenças através das cores. Ex: Você mostra uma nota de dois reais e outra de cinco e ensina que o que custa dois reais está mais barato do que o que custa cinco. Ele vai começar a entender o que é caro e o que é barato. Também ele já pode ganhar um cofrinho e começar a guardar moedas para comprar algo que ele está desejando muito. Se não tiver um cofrinho, faça isso com uma garrafa transparente, de modo que ele vá depositando moedas e vendo-as aumentar dentro da garrafa; ele vai entender que dinheiro também pode crescer e, quando quiserem introduzir o assunto “poupança”, ele irá entender com mais facilidade. Muito cedo sua criança estará entendendo sobre “planejamento”, como vimos no texto que lemos.

2 - IMPULSO – Muitas pessoas são impulsivas no gastar. Compram o que vêem e compram o que não precisam. Desde cedo você pode ensinar o que é uma compra necessária e o que é uma compra por impulso, pois as crianças são frequentemente abordadas através das propagandas nos programas infantis que assistem pela TV. Elas vão aprendendo sobre o autocontrole e que não devem desperdiçar dinheiro; mas não fique controlando as compras delas. Deixe que aprendam com erros e acertos.

Foi lançado nessa semana no Brasil, o livro O Teste do Marshmalow. O autor é um psicólogo que desde os anos 60 vem fazendo o teste com crianças e acompanhando essas crianças. Ele prova que as crianças que conseguem adquirir o autocontrole se tornam jovens bem-sucedidos nos estudos, são os melhores nas universidades e se tornam adultos bem-sucedidos na vida em geral.

3 - AUTOCONTROLE - Esse é um assunto muito bom. A criança aprende o autocontrole em várias oportunidades, como por exemplo:

·         Esperando a hora de comer determinado alimento;

·         Sua hora de entrar no joguinho;

·         Esperar o papai ver algo interessante na TV para depois ela assistir o seu programa;

·         Esperar o papai ou a mamãe usar o celular para depois emprestar para ele jogar.

·         Sentar-se à mesa para comer ao mesmo tempo com a família.

Tudo isso contribui para que ele seja um adulto equilibrado. Ninguém pode imaginar o amanhã e devemos ter equilíbrio para qualquer situação, mesmo situações negativas.

Todos nós já vimos pessoas que hoje têm muito dinheiro e amanhã, podem não ter, pois isso pode acontecer e o autocontrole e o equilíbrio ajuda muito nas horas imprevisíveis. As riquezas desaparecem assim que você as contempla; elas criam asas e voam como águias pelo céu (Pv 23:5).

Quando temos autocontrole passamos pelas dificuldades e esperamos o retorno das bênçãos sem desespero.

4 - MESADAS – Ainda hoje se questiona a respeita de mesadas. Dar mesada para os filhos, ajuda-os a amadurecer financeiramente e ensina a criança a administrar seu dinheiro. É preciso estabelecer o que ele vai fazer com sua mesada como: Ele vai pagar seu próprio lanche na escola, e comprar algo mais? Ou o lanche está fora da mesada? Para uma boa administração, é necessária uma conversa antecipada.  O ideal é estabelecer semanadas até aos 10 anos e dos onze em diante passar para mesada. Para uma criança menor de dez anos, fica muito difícil esperar um mês. Mesmo os pais mais abastados, não deve dar muito dinheiro para seus filhos. Lembre-se que você está educando-o para a vida e não lhe oferecendo benefícios por causa de sua boa situação financeira. Já é comprovado que a terceira geração quase sempre leva os negócios da família à falência, pois é uma geração que não foi ensinada a lutar para adquirir algo. No Brasil temos o exemplo clássico da família Matarazzo, cuja terceira geração não teve condição de manter o império familiar. Então se você quer ter filhos bem-sucedidos, não facilite.

5 - QUANTO DAR DE MESADA? – O ideal é começar a partir dos três a cinco anos e a fórmula de calcular o valor é muito simples: No máximo um real por ano de idade – por semana. Exemplo: Seu filho tem três anos vai receber três reais por semana. Seu filho tem sete anos, irá receber sete reais por semana. A mesada não deve estar vinculada às obrigações domésticas ou ao desempenho escolar. Não se corta a mesada com castigo, pois receber a mesada corretamente já é um ensinamento que você sempre deve cumprir com seus compromissos financeiros. Quando forem sair para um shopping, por exemplo, seu filho deve levar seu próprio dinheiro para o caso de querer comprar algo. Você mesmo deve ajudá-lo a escolher uma loja popular, que tenha variedades, onde ele possa comprar um brinquedinho, ou algo diferente que ele goste. Deixe que eles gastem com o que quiserem. De vez em quando acontece deles irem à falência e você não deve ajudar, pois tudo isso vai contribuir para ele se tornar próspero e equilibrado no futuro. Os avós podem participar, até aconselhando o netinho, caso ele os procure, mas nunca dando um dinheiro extra, a não ser quando vão oferecer um presente, como no dia de aniversário, ou outras datas ou momentos especiais. Se os avós socorrem o neto na hora do aperto, isso sempre acontecerá no decorrer da vida futura. Deixe seu filho gastar a mesada como quiser. Deixe que ele erre algumas vezes. Os erros ajudam na aprendizagem. Resista à tentação de presentear seu filho a todo momento. Faça isso somente em ocasiões propícias.





6 - AOS SEIS ANOS – Ele já sabe escrever e você deve ensiná-lo a anotar os gastos em um caderninho ou em uma planilha, caso ele tenha acesso. Ele pode fazer o planejamento por escrito e anotar os gastos. Presenteie seu filho com uma caderneta para ele transformá-la em seu livro caixa, ou ele pode fazer isso no computador.

7 - APÓS OS DEZ ANOS – Nessa idade ele pode receber por mês. Aí você já pode incluir alguns gastos, como o lanche da escola e transporte, caso ele use. Você irá fazer os cálculos de sua despesa mensal, ver o que será incluído na mesada e um pouco mais para ele ter uma pequena reserva. Se seu filho aprendeu durante seus primeiros anos, provavelmente ele saberá até economizar e poderá poupar o que sobrar no final do mês. Os pais não devem pedir emprestado o dinheiro do filho, mas caso aconteça deve pagar na data combinada. Ficar devendo para o filho, não é positivo para o desenvolvimento da inteligência financeira dele. “Quem toma emprestado é escravo de quem empresta” (Pv 22:7b).

8 - DÍZIMOS E OFERTAS – Prepare o envelope de dízimo e ensine seu filho ser fiel. Ensine-o a ofertar – ofertas de gratidão são fáceis de serem ensinadas. Exemplo: gratidão por mais um ano de vida (dia do aniversário). Gratidão pelas boas notas, gratidão por ter sarado de alguma enfermidade. Quando seu filho crescer terá experiências para contar e jamais questionará esse princípio.

9 - SUPERMERCADO – Quando forem ao supermercado leve uma lista e não saia comprando tudo o que vê de interessante. Sua lista define o que realmente está faltando em sua casa. Seu filho irá ajudar, riscando os itens que já foram colocados no carrinho, ajudando-os a olhar as datas dos produtos para não correr o risco de comprar algo que já está vencendo e também ele irá ajudar a comparar os preços de produtos que são semelhantes. Será uma boa ajuda para você e um treinamento para ele.

10 - CUIDADO COM OS PASSEIOS NOS SHOPPINGS – Os melhores lugares para levar as crianças são os parques, lugares onde eles podem explorar a natureza. Quando forem ao shopping, planejem antes o que vão fazer, o que vão comprar e onde vão comer, para que vocês não gastem acima do orçamento. As crianças se acostumarão com essa rotina organizada e aprenderão muito também. O consumo consciente é muito importante.

11 - LIMITES – Se não pode comprar não adianta dar birra. Criança mimada se torna adulto mimado. Quando cresce continuará querendo a ajuda dos pais, constantemente. Não se torture por não poder dar ao seu filho tudo o que ele quer, entenda que será muito melhor para ele. Se seu filho ganhar tudo o que deseja não saberá o valor das coisas e terá dificuldades de entender outros valores da vida.

12 - COFRINHO – Dê um cofrinho para as crianças. Caso elas estejam querendo uma boneca nova ou mesmo uma bicicleta, ensine colocar as moedas em um cofrinho – nesse caso os adultos podem contribuir com moedas para o cofrinho.

13 - TRABALHO EXTRA – Você não deve remunerar seu filho por ter feito a tarefa de casa, ou por ter guardado suas coisas no lugar próprio, ou por ter tirado boas notas. Essas coisas fazem parte da obrigação da criança, mas caso eles façam algum trabalho extra, você deve remunerá-lo. Por exemplo, se ele cortou a grama, fez uma faxina, passou um pouco da roupa acumulada. O valor deve ser decidido anteriormente, se será pago por hora de trabalho ou por tarefa cumprida. Não deve ser superfaturado. O valor deve ser condizente com o trabalho e com a idade da criança. “Você já observou um homem habilidoso em seu trabalho? Será promovido ao serviço real; não trabalhará para gente obscura” (Pv 22:29).

14 - PÃO DURO? – Não chame de pão duro quem economiza. O Mauricio de Souza criou um último personagem para suas histórias, que se chama Marcelinho Certinho. Foi inspirado no filho caçula que já nasceu com essa característica; apaga a luz quando sai do quarto, usa o tênis até ficar bem velhinho, não desperdiça comida, etc. Esse filho não queria que seu pai criasse o personagem com receio das brincadeiras, de ser chamado de pão duro, etc. Os rótulos são bem negativos quando são usados em casa, pelos próprios irmãos. Então, nunca chame de pão duro quem economiza! Ensine seu filho a contribuir com o orçamento de casa economizando energia, água, não deixando comida no prato, evitando qualquer tipo de desperdício – mas tudo isso deve ser conversado antes e com respeito. Nada de ficar reclamando porque a conta de energia veio cara se não se falou sobre isso com seus filhos.

16 - GENEROSIDADE – Ensine seu filho a ser generoso. Quando estiver aproximando o dia das crianças ou o dia de Natal, incentive seus filhos a darem uma geral nos brinquedos, separando os menos utilizados para doação. Faça o mesmo com as roupas e sapatos. “Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus”? (I João 3:17).

17- CARTÃO DE CRÉDITO – A criança não sabe como é o processo do cartão. Para ela, você precisa de dinheiro, passa o cartão na máquina e o dinheiro estará em suas mãos. Explique o processo: Que você só tira o dinheiro se o guardou em sua conta. Caso gaste além, pagará juros. O que são juros? Explique em linguagem simples. Cheguem juntos à conclusão de que não é bom negócio usar dinheiro a mais do cartão. O livro “105 Perguntas Que as Crianças Fazem Sobre Dinheiro” pode lhe ajudar a dar boas respostas para as perguntas de seu filho sobre o assunto.

 CONCLUSÃO

“Ouçam agora, vocês que dizem: Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro. Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo” (Tg 4:13-15).

A vida é complexa; cheia de lucros, perdas, ganhos, compras, vendas, pessoas, lugares, objetivos e decisões. Temos a memória do passado e as experiências recebidas, mas do futuro temos projetos e esperanças. A lógica do consumismo é a insatisfação:

·         Não estou satisfeito com o meu carro, quero um modelo novo;

·         Não estou satisfeito com o meu smartphone, quero um novo;

·         Não estou satisfeito com meu casamento, quero outro;

O que ensinar disso tudo para nossos filhos?

·         Ensine-o que mesmo perdendo somos encorajados a continuar, pois amanhã seremos vencedores;

·         Quando ele errar não deve ficar procurando justificativa para aquele erro, pois isso o levará a errar de novo. Ele deve reconhecer que errou deve começar de novo e começar diferente.

·         É Deus quem dá energia para o trabalho.

·         Se houver uma dificuldade grande, contorne a dificuldade e continue a caminhar.

Podemos todas as coisas em Cristo que nos fortalece (Fp 4:13).

·         O homem justo leva uma vida íntegra; como são felizes os seus filhos! (Pv 20:7).

·         O ganancioso provoca brigas, mas quem confia no Senhor prosperará (Pv 28:25). 

É isso que você deve ensinar aos seus filhos. Que Deus lhe ajude e o abençoe!

Noeme S. Torres

 

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