Quarta, 16 de agosto de 2017
"Quando nossa alma começa a gritar por Deus, Ele mesmo cria a situação para nos atrair." Ap Sinomar

PALAVRAS SOLTAS AO VENTO

  Os mesmos problemas enfrentados por Moisés no deserto se repetem hoje no cenário das nossas igrejas. Muitos líderes eclesiásticos quase sempre entrem em "parafuso" por causa das injustiças cometidas contra eles. Não fora a misericórdia do Senhor, protegendo os seus "ungidos", muitos já teriam perecido em seu labor em prol do desenvolvimento do reino de Deus. 

  Hoje, em muitos lugares, há uma mentalidade medíocre de que os obreiros em geral devem viver uma vida de escravidão e de mendicância. Esta é uma herança maldita, da qual muitos ainda não se libertam.

  Muitas vezes os ungidos de Deus recebem bênçãos materiais. Então se levantam dentro da comunidade aqueles que só fazem perverter os direitos dos outros e murmuram por tudo. Desconfiam de tudo e liberam palavras maldosas, fruto de uma inveja descontrolada e doentia. 

  A função do líder é clara nas Escrituras. No caso de Moisés, por exemplo, a sua tarefa não era cavar poço no deserto para dar água ao povo. A função precípua de um líder é conduzir o povo à presença de Deus. É alimentar o rebanho, exortar e orientar a cada um, objetivando a sua maturidade espiritual.

  Mas hoje, em muitas igrejas, o pastor é acionado para coisas mais absurdas e, se não atende, é desamoroso e não corresponde à expectativas.

  Minha esposa Elizabeth, que também era pastora, gastou mais de trinta minutos ao telefone com uma irmã da igreja, que insistia com ela para ir, à noite, à sua casa, para interceder pelo seu gato adoentado. Não foi fácil para minha esposa convencê-la a procurar um veterinário. 

  Muitas vezes, quando um líder não atende a uma reivindicação, torna-se alvo de murmurações. Na realidade, nem sempre é possível atender a todos os pedidos. Nestes tempos difíceis, sou muito procurado por pessoas que estão desempregadas, procurando ajuda. Nem sempre consigo empregar a todos. Muitos não entendem e ficam tristes comigo e me fazem críticas maldosas: "Ele empregou o fulano de tal e não fez nada para mim…".

  Certas solicitações são absurdas! Uma mulher da alta sociedade veio para a igreja e logo demonstrou ser realmente muito rica . No nosso primeiro encontro ela foi incisiva: " Preciso de pastoreamento semanal. O senhor tem condições de fazer isto?" Eu disse que não, mas que poderia ajudá-la dentro das minhas possibilidades. Ela achou muito pouco em comparação com o tamanho do seu dízimo. Bem, ali mesmo terminou a nossa conversa. Ouvi dizer que até hoje ela fala de mim por aí - da minha falta de visão. 

  Na igreja primitiva, em Jerusalém, havia uma distribuição diária dos alimentos, e os doze apóstolos coordenavam o programa. Mas os helenizas, vendo-se prejudicados, abriram a boca no mundo e, se a comunidade dos discípulos não tivesse tomado medidas urgentes, o ambiente poderia ter se deteriorado completamente. Aquela murmuração contra a liderança n˜åo persistiu, porque os apóstolos tomaram providências sábias e imediatas. Se a crítica é injusta, não devemos nos irritar; se ela é ignorante, devemos sorrir; se ela é justa devemos aprender com ela. 

  Às vezes eu tenho mais medo da língua de certos "irmãos" do que de voar num avião sem asas. Vejo que para ser um crítico mordaz, não há necessidade de inteligência, nem de educação. 

  Paulo, o apóstolo, recomenda aos crentes de Filipos : "Fazei tudo sem murmuração nem contendas" (Fp 2:14).

  É plenamente possível realizar toda a obra de Deus num clima de paz e solidariedade. Basta viver o texto de Romanos 12, do verso 9 ao 21. Começa assim: "O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai0vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outra […]".







Por: Ap. Sinomar Silveira



(Trecho do livro Murmuradores)




Imagem ilustrativa


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