Quarta, 13 de dezembro de 2017
"Oração é a melhor ginástica pra a alma; quanto mais você ora, mais forte você fica." (Ap. Sinomar)

UM DOMINGO EM MOÇAMBIQUE

  A construção completamente rústica está lá. Para se chegar passamos por dentro da aldeia cheia de casinhas de barro cobertas de palha. Ao longo do caminho, crianças observam, curiosas, a passagem do carro e percebem que aquelas pessoas que estão chegando não são de lá. De dentro do carro começamos a acenar, sorrindo elas correspondem e começam a correr atrás de nós. Chegamos para mais um culto.

  Depois de saudar os moradores, somos convidados a entrar para o "prédio" da Igreja. Ao chegar à porta a música já está sendo entoada; um grupo de jovens e crianças estão nos esperando com cânticos e danças; há um clima de muita alegria para recepcionar os visitantes... que somos nós.

A construção é precária, abafada, apertada, com poucas saídas de ar; com as danças uma poeira sobe do chão e às vezes ficamos até sem ar para respirar. Para quem precisa de estímulos visuais para louvar a Deus, nem entraria lá. Mas ao ver aquele povo prestando seu louvor a Deus sem pedir nada em troca, alguma coisa começa a mexer no nosso interior. As lágrimas caem, uma cena da nossa vida começa a passar pela nossa cabeça, nosso coração palpita e começamos a perceber a pequenez dos nossos problemas pessoais que fazem tanta separação entre nós e Deus.

  O culto já está acontecendo. Ali não há teologia da prosperidade; ali não há evangeliquez "profético"; ali não há regras para se chegar a Deus; ali não há ministro de louvor; ali não há sermões cansativos e moralistas; tudo é muito simples... eles não têm tempo para se preocupar com essas coisas. As músicas são nos seus respectivos dialetos e as vozes afinadas e completamente sincronizadas nos tempos das músicas; a gente não entende a letra, mas a presença de Deus é muito forte. A fé testifica!

  De repente o louvor acaba, eles correm para se sentar nos bancos precários de madeira ou em tapetes de palha espalhados pelo chão. Eles se acotovelam para ouvir a mensagem daquele dia. Do lado de fora outra multidão de crianças têm a sua própria programação.     Não há salinhas, a reunião acontece debaixo de uma árvore e elas se sentam no chão. Elas estão tão maravilhadas em ver pessoas "diferentes" em sua comunidade que nem prestam muita atenção à lição do dia.

  Depois da mensagem todos se reúnem novamente. A igreja é dividida em grupos (crianças, jovens e senhoras) e cada um faz uma apresentação musical. Novamente muita música e dança. Ali não tem hora para acabar, não há presença de relógios; cada elemento da liturgia deles é importante e tem que acontecer.

  Na parte final, os visitantes são saudados com presentes que nem podemos pensar em recusar. Somos intimados a ir para fora, pois todos querem um aperto de mão; uma fila se forma e saudamos, um a um, desejando paz e as bênçãos celestiais. Não há troca material, mas essas simples palavras são suficientes para encher seus corações de alegria.

  Depois de tudo encerrado vem a comunhão. Conversas, fotos, risadas, músicas, danças e crianças tentando entender por que alguns de nós temos cores de pele diferente. O amor e carinho são tão intensos que por um momento até pensamos que somos celebridades, mas no fim das contas só percebemos que eles se abriram para nós, porque conseguimos perceber que somos todos da mesma família.

Depois de tudo isso, vem o banquete para os convidados: arroz branco, frango de molho e sardinha frita, acompanhados de fanta laranja.

  Tudo isso acontece ali, naquela casinha! A gente tem hora para começar, mas não vê o tempo passar... e lamenta quando tudo termina.











Por: Pastor Silvio de Moura

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